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Requiem de Um Novo Amanhecer (Tokyo Revengers)

Chapter 7: Capítulo 6 — Ecos e Presságios

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O céu nublado deixava a cidade envolta numa penumbra preguiçosa. Era um daqueles dias abafados em que o ar parecia pesar nos ombros. Na casa dos Tachibana, Takemichi estava deitado no tatame do quarto de hóspedes, com Seika enrolada de forma preguiçosa por seus ombros, sua cabeça esverdeada repousando sob a curva do pescoço dele.

O calor não o incomodava. O que incomodava mesmo era a magia.

Ela pulsava sob sua pele como um segundo coração. Não doía, exatamente — mas coçava, ardia, parecia se espalhar com uma vontade própria, reagindo a algo que ele não conseguia nomear. Havia uma tensão invisível, como eletricidade antes de uma tempestade. Seus dedos tremiam, e a respiração ficava pesada sem motivo.

Seika levantou a cabeça e sibilou levemente, como se também percebesse algo. Os olhos dourados da cobra brilhavam com mais intensidade, e sua cauda se movia lentamente, alerta. Takemichi alisou suas escamas de forma instintiva.

— Tá tudo bem, garota... acho.

Hinata bateu à porta com um sorriso, espiando com curiosidade.

— Vai ficar aí o dia todo? Papai disse que você precisa tomar um pouco de sol ou vai virar um fantasma.

— Já sou meio fantasma — brincou, tentando suavizar a tensão.

— Emma vem nos visitar. Queria te apresentar. Ela viu a Seika no festival e tá louca para vê-la de perto.

A visita de Emma foi como um raio de sol rompendo as nuvens. A garota chegou esvoaçante, com roupas ousadas e olhos brilhantes. Assim que viu Seika em seus ombros, quase gritou de empolgação.

— ELA É TÃO LINDA! Ai meu Deus, ela é REAL? Ela é venenosa? Posso tocar? Hinata, você viu os olhos dela?

Hinata, rindo, puxou Emma para trás.

— Devagar! Ela ainda é uma cobra.

— Eu sei, mas olha só! — Emma esticou o dedo com cuidado, e Seika, para surpresa de todos, roçou a língua nela de forma tranquila. — AAAAH! Eu ‘tô apaixonada!

— Que bom que é com a cobra e não comigo — murmurou Takemichi, arrancando risadas das duas garotas.

O momento descontraído aliviou um pouco o peso no peito dele, mas não o suficiente para apagar a inquietação. Aquela tarde, ele decidiu ir ao templo abandonado.

— Vai sair? — Hinata perguntou.

— Vou ver alguns amigos. Prometo voltar inteiro.

 

 

Chegar ao templo abandonado foi como cruzar um portal para um mundo diferente. O ar era pesado, não de magia, mas de expectativa. Takemichi parou à sombra das colunas quebradas, observando os garotos que se reuniam. O templo onde a Toman se reunia ficava nos limites da cidade, meio esquecido pelo tempo. Musgo cobria partes da entrada e o cheiro de madeira velha e incenso queimado pairava no ar. Ao se aproximar, Takemichi ouviu vozes. Não conversas descontraídas — discussões acaloradas.

Mikey apareceu logo atrás, os olhos cravados nele. Por um instante, tudo ficou em silêncio. Ele entrou com passos calmos. Seika ergueu a cabeça, em alerta. Todos os olhares se voltaram para ele.

Smiley e Angry estavam encostados numa parede, trocando cochichos. Pah e Peh riam baixo até perceberem a presença. Mochizuki franziu o cenho. Baji, encostado em uma pilastra, endireitou-se como um lobo farejando uma presença desconhecida. Mikey e Draken já o haviam notado antes mesmo de ele entrar.

— Hanagaki Takemichi — disse Mikey, com um meio sorriso. — Chegou cedo.

Takemichi assentiu.

— Achei que era hora de conhecer o resto do grupo.

A tensão se instalou. Seika moveu-se devagar, olhos dourados cravados em Mochi, que deu um passo involuntário para trás.

— Você trouxe uma cobra — comentou Pah, quebrando o clima.

— Tá brincando? — Peh disse, encarando Seika com uma mistura de respeito e nojo. — Isso aí é de verdade?

— Ele é Takemichi. Salvou o Draken. E sim, a cobra é real. — Mitsuya se adiantou, tentando acalmar os ânimos.

— Ela tem nome? — perguntou Smiley, ainda observando.

— Seika. — respondeu Takemichi. — Tem um significado especial pra mim.

— Hm... gosto disso. Nomes com peso. — Smiley assentiu em aprovação, Angry, seu gêmeo, concordando ao lado.

— Ele salvou o Draken no festival — lembrou Mitsuya, surgindo por trás de uma pilastra. — Mostrou mais coragem que muita gente aqui.

— Com esse estado físico? — Pah fez uma careta. — Parece que desmaia com o vento.

Takemichi não respondeu. Seika sibilou baixo.

— A cobra tá encarando o Mochi — comentou Peh. — Será que ela sente quando alguém é um pau no cu?

— Idiota — murmurou Baji, com um sorriso de canto. Mas Takemichi sentiu os olhos dele pesando sobre si. Havia julgamento ali. E... algo mais.

Antes que qualquer outra provocação surgisse, Mikey se colocou entre eles.

— Chega. Hanagaki vai ficar. E é isso. — A reunião começou pouco depois com o tom seco de Mikey, algo raro no garoto normalmente brincalhão. O assunto: Valhalla, era o nome na boca de todos. A gangue estava crescendo rápido demais. Boatos de que Kazutora estaria envolvido. Hanma foi citado, um nome que fez Takemichi estremecer.

— Eles tão recrutando gente rápido demais — disse Mitsuya. — Hanma tá envolvido.

— Hanma, o maluco da risada? — perguntou Takemichi.

— Esse mesmo — Draken respondeu. — Ele se aproximou do Kazutora. Vai sair do reformatório essa semana. Tá com raiva. Tá instável.

O nome fez o estômago de Takemichi afundar. Kazutora. Ele sabia aquele nome. Mas como? Era como se estivesse preso em suas memórias — ou em visões que não eram suas. Um eco começou a vibrar dentro dele.

E então tudo escureceu.

 

O templo desapareceu. Em seu lugar, um beco. Sangue. O som de socos. Gritos. O rosto de Kazutora retorcido em fúria. Baji no chão, ensanguentado, olhando direto para ele.

— Por que você não me impediu?

— Não! — gritou Takemichi, mas sua voz não saiu. Ele estendeu a mão. Tarde demais.

— BAJI!

 

Ele voltou com um sobressalto. Seu corpo tremia. Estava de joelhos no chão do templo. Mitsuya já se ajoelhava ao seu lado. Seika estava em posição defensiva, como se tivesse tentando protegê-lo.

— Foi outra tontura? — sussurrou Mitsuya.

Takemichi assentiu lentamente. Mas não foi só isso. Ele viu o sangue. Sentiu o gosto do desespero. E pela primeira vez, não foi apenas uma lembrança ou um instinto. Era um aviso.

— Você precisa descansar — disse Draken, a voz mais suave que de costume.

— Não. Eu preciso... — ele parou. Não podia contar. Ainda não.

Por sorte a reunião já estava no fim, mas foi uma surpresa ver Mikey se aproximando novamente, em silêncio. Os dois ficaram lado a lado por um instante. Takemichi tentou falar, mas Mikey foi mais rápido:

— Se você sente que algo está pra dar errado... confie nisso. — Takemichi o encarou, surpreso. Mikey sorriu de leve. — Eu também sinto isso às vezes. — após isso, mikey se afastou, uma energia pesada o envolvendo

Do lado de fora, o sol se escondia atrás das nuvens pesadas. Takemichi andava sozinho, Seika enrolada em seu ombro como uma sentinela silenciosa. A magia em seu corpo parecia pulsar em resposta ao mundo ao redor. Vozes sussurravam nos ventos. Ecos do que viria.

Numa esquina escura, ele ouviu uma risada familiar.

— Tá mesmo pensando em se juntar à Valhalla, Kazutora?

Hanma estava ali, apoiado numa parede, os olhos semicerrados, sorriso debochado. Kazutora, mais magro e pálido do que ele imaginava, encarava o chão.

Takemichi sentiu o sangue gelar.

— Não quero pensar — respondeu Kazutora. — Só quero que tudo acabe.

Hanma riu de novo.

— Então você vai adorar o que a gente tá preparando.

Takemichi se afastou silenciosamente, o coração disparado. Seika sibilava sem parar.

Sabia que a guerra estava vindo. E a magia em seu corpo não era mais apenas um dom. Era uma maldição, um alarme. E cada batida de seu coração dizia o mesmo:

Você está ficando sem tempo.

Notes:

Notas do Autor:

Hinata é lésbica nesta história e não terá romance com Takemichi.

Takemichi é gay e poliamoroso (já viram as tags de relacionamento?).

Takuya é bissexual e sente algo por Akkun.

Emma é pansexual e sente atração por Hinata e Draken.

Mikey terá uma identidade queer (gay ou similar).

E por ai vai.

 

Esta fanfic traz representatividade com carinho e respeito 🌸