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Care

Summary:

Lime gets injured in the vents, and Blue ends up finding out. Even so, Lime insists on keeping up with his work.

Will it take a lightning strike to make him stop and get some rest?

Notes:

Heyyyy!

This fanfic isn't finished yet, but I decided to post it because... well, why not? I felt like it.

I'm still working on it little by little, and I plan to revise everything once it's complete. When will that happen? I have no idea.

All I know is that I absolutely love Blue and Lime. They're my little babies.

Constructive criticism, support, and any other comments are always welcome. ;)

I'm also writing this in Portuguese since it's my native language. I didn't want to translate the story with AI.

If you'd like to read it anyway, I think Google Translate should do a decent job in your own language.

Chapter Text

Mira nunca se preocupou com a segurança de suas naves, muito menos com seus trabalhadores. Ninguém sabia disso mais do que Lima, afinal, ele era o funcionário mais antigo daquela equipe, embora não fosse tão velho quanto os demais tripulantes acreditavam.

Anos de trabalho árduo em condições menos que regulares, somado a um nível de paranoia não tratada. Tudo isso te deixa com algumas rugas.

Ele passou alguns bons anos se rastejando pelas ventilações desde que começou essa jornada. Seu senso de direção não era dos melhores, (exceto pelo caminho para o reator), mas ele sabia se virar muito bem, tão bem quanto sabia improvisar nos consertos da nave que a empresa não iria cobrir.

— Tudo pronto chefia, o forno tá quase novo outra vez.

Lima secou o suor da testa e arrumou sua bandana. Então voltou a atenção para a dupla dinâmica da cozinha, que agradecia com um sorriso amigável.

— Valeu Lima, vamos poder esquentar pizza amanhecida pro café da manhã de novo.

Amarelo lhe dava um tapinha nas costas, enquanto o Marrom apenas... Bem, era o Marrom. Entregando ao engenheiro uma fatia de sua pizza favorita como "gorjeta".
Lima atravessou o refeitório enquanto terminava a fatia. Minutos depois, já desaparecia pelos dutos como uma toupeira retornando à toca.

Ele não era o único trabalhador esforçado da nave, claro. Todos ali davam muito valor às suas funções (alguns até valor demais), entre eles, estava o Azul.
Qualquer um que o ouvisse falando entendia que medicina era sua grande paixão, mesmo que seu primeiro doutorado tenha sido em poesia elegíaca.

— A Laranja manda muitos papéis pra você preencher né... — Verde comentou enquanto esfregava o chão da enfermaria, apenas uma faxina casual para manter o ambiente.

Azul o encarou por um segundo e riu baixinho, entrando na conversa ao girar a cadeira para o ex-ajudante de fazenda.

— Ela é muito organizada com as coisas do RH. Está fazendo sua parte. — Ele puxou sua caneca e bebeu um curto gole do café quente sem açúcar. — E eu faço a minha parte assinando e revisando tudo antes de me deitar.

O mais jovem parou por um momento, se apoiando no esfregão úmido.

— Fazer isso toda noite deve ser cansativo…

— Não vou mentir, é bem cansativo sim... — Ele se levantou, caminhou para perto e tocou gentilmente seu ombro. — Mas eu entendo que a Laranja valoriza sua função, assim como eu valorizo a minha.

Os olhos e o visor de Azul pareciam ter um brilho descomunal, cada frase dita por aquela voz de sereia fazia o rosto das pessoas esquentar e avermelhar, o contexto quase não importava.

— Imagino que ela se sinta da mesma forma com a papelada, como eu me sinto com vocês. Não conseguiria dormir sabendo que algum paciente não foi devidamente cuidado…

— Me abana... — Disse Verde se derretendo sobre os próprios pés. Azul tinha aquele dom natural de encantar qualquer um. Fosse com sua voz, personalidade ou aparência angelical.

Qualquer um se derreteria pelo doutor.

Ou, quase, qualquer um.

— Falando em cuidado, eu acredito que seja melhor você fazer uma pausa agora. Não se preocupe, eu posso terminar de organizar as coisas no lugar mais tarde.

Azul disse em um tom calmo, conduzindo verde para fora da enfermaria, se despedindo e sumindo atrás das grandes portas de metal, enquanto o estagiário se dirigia ao refeitório.

Novamente sozinho naquele ambiente frio. Azul estalou as costas e respirou fundo por um instante.

— Acho que também mereço uma pausa…

Para ele era comum falar sozinho, talvez fizesse isso mais que a maioria, mas ninguém nunca reclamou.
Subindo em uma das camas médicas um pouco duras espalhadas pelo canto esquerdo do cômodo, Azul deitou seu corpo no colchão de mesma cor.

Entretanto. Antes que pudesse fechar seus olhos, notou de canto que o lençol da cama ao lado estava irritantemente torto, algo bobo, mas que seu cérebro não iria deixar de lado até estar arrumado.

Suspirando, ele desceu da cama e ajeitou a ponta do lençol, passando o antebraço para que não ficasse amassado.

Agora sim, poderia descansar.

 

Ou não. Agora sua mente insistia que todo o ambiente estivesse organizado primeiro.
Então lá vai o doutor, o descanso teria que ficar para mais tarde, como de costume.

 

Azul perdia um pouco a noção do tempo quando estava focado em uma tarefa, então nem se preocupou em olhar o relógio enquanto levava a papelada para o balcão perto do computador, ou quando dobrava cobertores e afofava os travesseiros de cada cama.
Se perdia tão fácil nos próprios pensamentos que sequer ouviu o som metálico vindo da ventilação.

Clang!

Azul se virou, assustado, ao ouvir o duto se abrir. Antes que pudesse reagir, alguém quase saltou de dentro dele.

— Argh! Virei errado. — Resmungou Lima, com apenas metade do corpo no interior do duto.

— Pelas estrelas, Lima… — O médico suavizou a mão que por impulso apertava o seu peito. Não era novidade ver Lima surgindo assim, ele perceberia se não estivesse ocupado.

— Foi mal aí.

Ele acenou rapidamente, já estava fechando a grade para voltar, mas foi impedido pelo doutor.

— Espere! — Azul soou um pouco apressado, mas normalizou assim que o engenheiro voltou a olhar para ele. — Oh, eu não quero atrapalhar seu trabalho, Lima. Mas… É bom ver você aqui. Como vai?

Os olhos do engenheiro ficaram focados no companheiro, mas não estava tão interessado na conversa.

— Bem, eu só tava indo ver um equipamento que o Roxo pediu. Parece que a fiação da mesa dela tá soltando de novo.

Sua voz seca saía com naturalidade, não muito apressado, então Azul supôs que não deveria ser urgente.

— Entendo. Os fios dos computadores também estão desgastados, mas nunca vi nenhum ratinho pelas naves da Mira.

— Hah! os únicos ratos aqui são eles. Essa nave inteira precisa de uma gambiarra pra continuar voando — Lima riu. — Mas eles não vão gastar um centavo com isso.

A breve risada também fez Azul sorrir, descansando a expressão.

— O mal das grandes corporações… — Balançou a cabeça negativamente. — Às vezes me pergunto qual a porcentagem de lucro da Mira.

— Não sei, mas eles enchem os bolsos de dinheiro, enquanto a gente se fode aqui.

— Infelizmente… Acredito que nada vai mudar tão cedo, não enquanto uma dessas espaçonaves não causar um acidente feio.

Azul descansou o corpo, agachado ao lado da ventilação, frente a frente com Lima, que apoiava os dois braços no chão gelado.

— Provavelmente. Mas não vai ser essa aqui. — Sorriu enquanto dava uns tapinhas no chão. — Boa e velha Skeld. Tá judiada, mas funciona muito bem por mais alguns anos.

Lima olhou em volta da enfermaria, suspirando. O trabalho esperava por ele, mas não tinha problema em jogar conversa fora com o doutor por um momento.

— Você já fez muitas viagens nela? — Questionou docilmente.

— Sim, sim. Foi uma das primeiras que eu trabalhei.

— Oh, faz sentido. É por isso que você conhece tão bem as instalações…

Quase… Lima conhecia, só tinha problemas com direção, realmente.

— Hm. — Azul pigarreou. — Sabe Lima, devo admitir que acho você uma inspiração. Por mais que eu seja o médico da tripulação, você também zela pela saúde de todos aqui.

Sua expressão travou. Sabia onde aquela conversa chegaria, sempre chegava.
Lima sentiu o toque das mãos gentis de Azul. De repente, olhar nos olhos dele parecia um feitiço.

— Acho que todos devemos algo a você. Muito obrigado Lima.

O calor lhe subiu dos pés à cabeça, com uma expressão assombrada pela vergonha. Rosto vermelho, respiração tropeçando e um desespero que preenchia seu peito de dentro para fora.

— TÁ- ME ABANA! ME ABANA! — Lima afastou as mãos de Azul depressa, se agarrando a tampa do duto. — Chega de conversa fiada! Tchau!

A tampa foi batida antes que o Doutor pudesse dizer qualquer coisa, pra variar. Só lhe restava ouvir o som de resmungos se afastar aos poucos.

 

Lima continuou rastejando em busca da segurança, mas agora sua mente estava completamente focada em lembrá-lo do Azul. Assim como toda vez.
Não sabia qual era a razão disso tudo. Nunca foi um verdadeiro apreciador de intimidade, mas…

Algo, alguma coisa no Azul. Fazia esses momentos serem piores que com qualquer outro tripulante.
Aquele cara fazia seu coração bater mais rápido, não sabia se era só pela beleza, ou pelo dom com as palavras. Mas sabia de uma coisa.

Azul não era deste mundo.

É a única explicação plausível.

Ao menos dessa vez, ele encontrou o duto certo para a sala de segurança. A enfermaria e a elétrica eram muito próximas dali, uma boa justificativa para sua confusão.

Roxo se virou das câmeras assim que viu o engenheiro subir pela tubulação.

— Ah! Lima. — Exclamou, parecendo até um pouco confusa. — Que estranho, você não chegou igual uma assombração dessa vez.

É verdade, mas assustar os demais nunca foi proposital.

— Hnm… Cadê o problema?

Sem perder tempo, Lima se levantou e caminhou até o colega. Roxo se afastou empurrando a cadeira de rodinhas, dando espaço para poder mexer embaixo da mesa.

— É na câmera do corredor direito, perto da navegação. A imagem tava riscada mais cedo, eu tentei mexer nos cabos e aí apagou de vez. Pensei que estavam frouxos de novo.

— Você não devia meter a mão em qualquer fio assim. — Disse Lima, agachando-se para ver de perto a fiação. — Tem alguma luz aí?

A chefe de segurança pegou uma pequena lanterna, iluminando o espaço para que o engenheiro pudesse continuar seu trabalho.

— Essas coisas velhas funcionam na manha, pode levar um choque se mexer do jeito errado…

Ele se levantou novamente, caminhou até o disjuntor e então desligou a energia da sala por um momento, voltando para debaixo da mesa.

— Eles são gastos, o certo era trocar por fios novos e reforçados, mas sabe como é.

— Hmm… — Roxo se apoiou no encosto da cadeira, mantendo a lanterna apontada para os fios.— É foda...

Lima prosseguiu consertando o que podia ali com as ferramentas que carregava consigo, no cinto e nos bolsos
Roxo não era muito falante, na verdade, nenhum dos dois sentia necessidade de conversar ali.

Mas ainda era meio chato ficar no silêncio esperando.

— Bom. Enquanto você arruma aí, eu vou pegar um café.

— Vai na paz.

Roxo posicionou a lanterna no chão e saiu, deixando Lima ajeitando os fios descascados, coisa que já sabia praticamente de cór. Então era um serviço rápido.
Dar uma polida nas pontas e conectar de volta seria suficiente por um tempo.
Assim sendo, ele pegou o fio vermelho e o ajeitou na entrada correspondente, partindo para pegar o fio… azul.

 

Sua mente parou por um momento. Desfocando tão rápido do trabalho… Só lembrava do toque do doutor enquanto segurava aquele fio.

— … Ugh. — Rosnou, encaixando de uma vez e prosseguindo, não tinha que ficar pensando no Azul agora. — Não preciso que você fique invadindo minha mente sempre que eu estou ocupado…

Com todos os fios no lugar. O engenheiro levantou e deu uma boa olhada nas imagens que as câmeras mostravam, tudo na medida do possível. Como de costume.

Podia ver Ciano e Preto carregando uns minérios pela câmera do corredor, mais em cima, o que pareceu ser Vermelho indo até à enfermaria.

O que o capitão iria fazer lá agora? Machucou os dedos chutando portas de novo?

— Hm? — A câmera da navegação chamou sua atenção, a imagem estava ficando riscada de novo. — Então não eram os fios…

 

Sua expressão se afundou um pouco escondida na bandana. Suspirando, ele tirou do cinto um post-it para deixar pela mesa, apenas avisando Roxo que tentaria ver se o problema está na câmera em si.

Saltando de volta para a tubulação, Lima deixou a sala de segurança.

 

Mesmo que o único som que ecoasse ali fossem as batidas na chapa de aço, aquele… bruxo, não saia da sua mente. Era pior que música chiclete.

— Ele deve se achar o máximo por ter TENTADO me enfeitiçar. Mas isso não aconteceu!! — Lima franziu a testa, lutando contra os pensamentos. — Eu ainda estou no controle, ele não me pegou.

Virou uma esquina à esquerda. Se estava no caminho certo, mais pra frente teria que virar de novo nos escudos.

— Não é nada que um pouco de água benta não resolva. Eu poderia até jogar nele. Aquele rosto bonito pode derreter ou algo assim… Provavelmente... Se você conseguir esquecer ele por pelo menos 15 minutos.É CLARO QUE EU CONSIGO. EU JÁ LIDEI COM COISAS MUITO PIORES QUE. Que…

Quanto mais pensava sobre, mais sua respiração acelerava. Como podia culpar o Azul? Que motivos ele tinha?

Talvez a coisa mais irritante fosse como ele sempre conseguia convencer Lima acima das suas crenças.

Mas quem é que sempre cedia?

— UGH!!

Lima rosnou, se movendo apressadamente pelos dutos e virando de forma brusca na primeira direita que encontrou.

— Argh!!

Sentiu um impacto gelado no antebraço.

O que era isso?

 

Sangue…

Escorria da sua pele e de um pedaço solto de ferro quebrado.

— Grh… quando foi que isso caiu?...

Lima se viu obrigado a parar e subir pela tampa mais próxima para ter espaço. Então sentou-se ao chão dos Escudos.

Olhando com mais calma, o ferimento não parecia grave, embora meio grande e profundo, do tipo que não ia fechar sozinho tão cedo.

Sabia cuidar daquilo bem, mesmo que estivesse ardendo bastante.
Tirou do cinto um pequeno potinho de álcool, e uma pomada. Isso evitaria o risco de infecções por um tempo.

Ainda assim, um corte daquele tipo não deveria ficar exposto, mas procurar uma atadura agora parecia muito mais trabalhoso…

A câmera da Roxo ainda estava esperando conserto, e ir à enfermaria agora estava fora de questão. Também não podia só deixar sangrando…

 

— Hm...

Os olhos do engenheiro desceram pelas suas pernas, aquele macacão velho e remendado… Funcional.

Com um pouco de força nas mãos, conseguiu rasgar um pedaço do tecido. Enfaixando o ferimento com isso mesmo.

— Vai servir... — Lima descansou a expressão, encarando o tecido ficar levemente manchado de vermelho. — … Ah…

Não podia ficar sentado ali o dia todo, tinha trabalho a fazer. Lima se ergueu novamente, cogitou apoiar o braço no painel dos escudos, mas pareceu uma péssima ideia.
Tão ruim quanto entrar nos dutos agora. Só de pensar em ter que arrastar o braço por aquela lataria, lhe agoniava.

Condenado a caminhar do ponto A ao ponto B, Lima seguiu. Tentou manter o braço imóvel, não queria piorar a dor suportável que sentia ali.
Graças a Deus que a câmera ficava logo no fim do corredor, em frente a sala do Capitão, vulgo, Navegação.

A câmera não parecia danificada por fora, mas era melhor olhar de perto para ter certeza.
O único problema agora, era o quão alto essas coisinhas ficavam.

Tudo bem, não era o fim do mundo. Devia ter algum banco ou caixa forte na sala do Vermelho. Valia a pena dar uma olhada.
As portas estavam abertas, provavelmente o capitão ainda estava na enfermaria ou coisa do tipo.

— Preciso de mais escadas por aqui… Quem é o idiota que só deixa uma na nave?... Onde foi que eu vi pela última vez… Não era na elétrica. Talvez na cozinha…

Procurou com certa calma, nos seus limites da palavra, por qualquer coisa útil. Até finalmente encontrar uma caixa mais resistente.

Lima sorriu com a pequena vitória. Segurou com firmeza na alça da caixa e então, uma fisgada atravessou seu ombro, forte o bastante para apagar seu sorriso.

— Argh!… Porcaria… — Ele bufou, soltando imediatamente a caixa sem pensar duas vezes. — É bom não ter nada importante aí dentro.

Seus resmungos não eram novidade pra ninguém, mas talvez estivessem aparecendo um pouco mais que o normal.

— Sério, por que só uma escada???...

A carranca permaneceu em sua face, enquanto com um pouco mais de cautela e esforço, erguia aquela maldita caixa no ombro com um único braço.

Lima pode não ser o mais forte dos tripulantes, mas não ia perder pra uma caixa razoavelmente pesada como aquela.

— Certo. Vamos ver isso agora…

O engenheiro deixou a caixa no chão e subiu nela, agora podia avaliar a câmera de perto.

— A lente não ta arranhada… Parece bem fixada no lugar… Então qual seu problem-Ah-!

 

Dor.

De novo.

Essa fisgada de novo… realmente não podia nem dobrar o braço por causa de um corte?

— Que merda… Mas se pensa que vai me impedir, está muito enganado.

Lima discutia com o próprio... braço…?

Bem.
De qualquer forma. Ainda precisava arrumar a câmera pra Roxo. E se tivesse que fazer isso com uma única mão, que assim fosse.
Só deixaria as coisas bem mais lentas.

Lutando para não arrancar fora aquele membro ele mesmo, Lima prosseguiu trabalhando.
Depois de um tempo, pôde ouvir passos não muito distantes, acompanhados por uma voz cantarolando se aproximarem.