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Até que a morte nos expulse

Summary:

○ Após anos sem contato com sua família, Caio recebe um convite inusitado de um de seus primos mais queridos para o casamento dele. O gesto era encantador, mas o que aquilo simbolizava o deixava aflito: reencontrar seus pais.

Pais que o fizeram acreditar que o amor tinha preço. Que o fizeram se sentir descartável durante anos. Que nunca aprovaram seu sonho com a música. E que com certeza não aprovariam seu relacionamento poliamoroso.

Sabia que não tinha obrigação nenhuma de ir e muito menos de dar satisfação aos seus genitores. Mas seu primo queria conhecer seus companheiros, assim como queria que Caio estivesse presente nesse momento importante de sua vida.

Deveria aceitar?

• Polikolera uhuul
• Caio centric
• Problemas familiares
• Mais comédia do que angústia, eu acho
• Esse casamento vai virar um circo
• Andrei vivo
•Nada haver com o cânon e nem com arquivos secretos

Notes:

☆Oi🤠

Faz tempo né? Nem acredito que consegui escrever alguma coisa. São mais de 10 rascunhos no meus docs com enredos polikolera pela metade pois meu cérebro não quis funcionar durante todo esse tempo🗣🗣 a essa altura o fandom deve tá morto, mas pelo menos se isso flopar eu não vou precisar elaborar um enredo pra isso aquiKSKSKSKSKSKSKSKS

Eu juro, só comecei a escrever e resolvi postar. Me surpreendo que consegui fazer esse capítulo. Não tenho nada além de uma breve resumo de estrutura. Vai ser que nem "Segure-me". Objetivo:Três capítulos
Resultado:Por culpa dos leitores deu uns seis🗣🗣

Eu também espero que eu não fique doente de novo com a "Maldiçao do Ao3"

Só gostaria de avisar que vou levar pouquíssima coisa dos Arquivos secretos dos Psikoleras em consideração. Então não esperem muita coisa do cânon além de Corvuja aqui

Bem, boa leitura

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: O convite

Chapter Text

 

 

 

O papel importado em sua mão parecia pesado demais para um simples convite. Seus olhos estavam fixos na caligrafia dourada, anunciando a união de duas pessoas, e, embaixo, a data, junto a um bilhete escrito à mão.

 

"Oi, primo, como vai? Tenho acompanhado os videoclipes da sua banda e vocês são incríveis. Desejo sucesso a vocês! Sei que é inusitado, mas... vou me casar. Você não precisa vir se não quiser ver esses delinquentes, só queria que soubesse que ainda lembro de você e queria que você viesse (junto com o seu grupo, é claro. Adoraria pedir um autógrafo aos Psikoleras!)."

 

Não era seu primo o problema. A origem do sobrenome Teles era o problema.

 

O vocalista fechou os olhos e afundou no sofá, derrotado. Ao menos, agora poderia se lamentar em um lugar mais confortável.

 

Após o estouro da banda com "Portal", conseguiram algumas parcerias e shows importantes, além de videoclipes e ouvintes mensais no Spotify. Isso colaborou para que saíssem daquele barraco que chamavam de casa e conseguissem um lugar melhor, sem goteiras, sem chão rangendo, buracos de baratas tampados com Super Bonder e conta de luz atrasada.

 

Agora tinham geladeira e armários cheios de comida, saneamento básico e um sofá decente diante de uma televisão enorme com todos os serviços de streaming assinados.

 

Enfim, uma vida decente, mas agora não podia desfrutar disso, pois estava muito ocupado sofrendo internamente.

 

— Ô, Caio — a voz alta de Eloy ecoou ao entrar na sala. — Tu não tá ouvindo a Cindy te berrando, não?

 

O baterista observou o parceiro largado no sofá enquanto segurava um pedaço de papel chique. Levantando as sobrancelhas, Eloy se aproximou intrigado, pegando o papel solto da mão do namorado, arregalando os olhos ao terminar de ler.

 

— Casamento??

 

— Que porra de casamento? — Cindy bradou ao chegar na sala com uma expressão nada boa. — Ô, seu arrombado! Tu não me ouviu te chamando, não, meo? A cozinha tá cheia de louça pra lav-

 

— A louça é do Andrei nas quartas — Caio resmungou, ainda em seu lugar derrotado.

 

— Hoje é terça, jumento. — A loira bufou, revirando os olhos e cruzando os braços.

 

Cindy percebeu Eloy concentrado em um pedaço de papel. Ela tentou espiar por cima do gigante, ficando na ponta dos pés, até arregalar os olhos e tomar o convite da mão dele.

 

— Não me diga que é uma conta atrasada — murmurou, atônita, memórias de guerra vindo em flashbacks dramáticos.

 

— Não, caralho. — Eloy respondeu. — Fomos convidados para um casamento.

 

— Casamento?

 

Andrei foi o próximo a entrar na sala, os dreadlocks presos em um coque e uma regata branca manchada de óleo de motor.

 

— Quem vai casar?

 

Para terminar a comitiva, Franco e Alê chegaram logo atrás. O ruivo possuía fuligem manchada no rosto e graxa nas luvas. Alê tinha os cabelos loiros amarrados em um coque e usava uma regata lilás também manchada de óleo de motor. Franco olhava os parceiros com curiosidade, enquanto Alê permanecia neutro.

 

Cindy enrugou o nariz com o cheiro forte, tampando-o com a mão.

 

— Mas que cheiro...! O que vocês tavam fazendo, meo?

 

— Franco teve uma ideia pra aumentar a velocidade do nosso Fusca e decidimos testar. — Andrei deu de ombros.

 

Eloy o olhou atordoado.

 

— Me diga que não desmontaram o pobre coitado...

 

— Eu prefiro dizer que só foram uns ajustes... — o ruivo justificou, olhando para Caio. — Por que o Cai tá morto no sofá?

 

— Meo, a família dele nos convidou para um casamento. — Cindy respondeu, virando o papel pra eles — E querem que a gente toque!

 

Andrei piscou, olhando para o outro vocalista.

 

— Tu não tinha dito que tua família odiava nosso som?

 

— Não são os pais, é o primo. — Eloy explicou.

 

Uma balbúrdia se instalou na sala, o grupo discutindo sobre o convite e se deviam ou não ir. Enquanto isso, Caio vegetava no sofá em absoluta exaustão para resolver qualquer coisa.

 

Estava cansado demais para pensar, cansado demais para resolver, e completamente cansado de criar cenários alternativos dos possíveis desastres que ocorreriam naquele casamento caso ele fosse.

 

Queria reencontrar seu primo. Edgar sempre foi um grande cúmplice por também ter tido uma infância cheia de cobranças. E, assim como ele, também encontrou seu grupo, seu refúgio, sem precisar dos Teles para isso.

 

Mas aquela família…era complicada.

 

Não importava o quanto corressem, ainda dava para sentir a presença deles encostando na nuca.

 

No fundo, queria que o vissem agora, olhando para o teto de uma casa que seus pais certa vez disseram que ele nunca teria. No sofá comprado com o dinheiro que a música nunca renderia.

 

Caio respirou fundo, rendendo-se à exaustão.

 

Alê foi o primeiro a notar o silêncio do vocalista. Franzindo sutilmente as pálpebras, elu tocou no ombro de Cindy e sussurrou algo em seu ouvido. Isso fez com que todo mundo cale-se a boca.

 

Ninguém disse nada por um momento. Apenas olharam para Caio, como se quisessem ler sua mente. Franco até quis sentar ao lado dele, mas preferiu ajudar o parceiro estando vivo — já que Cindy o mataria se ele sujasse o sofá novo.

 

— Eu não quero ver eles.

 

A confissão enfim veio. Rouca e cansada. Ninguém ali precisou pensar muito para entender o peso daquilo.

 

Caio se ajeitou no sofá, apoiando os braços nos joelhos. Era estranho vê-lo tão abatido, mas não surpreendente, já que se tratava de um assunto delicado para o Teles.

 

— Mas queria estar lá em apoio ao Edgar — admitiu, coçando a nuca.

 

Cindy e Eloy se moveram para perto dele, cada um sentando a um lado. O resto permaneceu em pé para continuarem vivos, mas se aproximaram. Andrei e Franco se agacharam, o ruivo apoiando a mão no joelho de Caio.

 

Ele prosseguiu:

 

— Eu já contei pra vocês... Estávamos lá um pelo outro quando nada daquele lugar parecia certo. Ou quando apenas nós dois parecíamos errados... — contou. — Foi até irônico termos nos descoberto trans na mesma época.

 

Soltou um riso baixo, segurando a mão de Cindy na sua.

 

— Ele me apoiou a sair de casa e fez o mesmo. Mesmo que meus pais sempre tivessem tido preferência por Edgar, até foram mais flexíveis com ele quando se assumiu do que comigo. É por isso que eu sei que, mesmo que Corvo esteja com uma nova vida e uma nova família, os dois ainda vão estar lá. Para apoiar ele e condenar a mim...

 

Fez uma pausa, e ninguém teve a audácia de interrompê-lo.

 

Caio respirou fundo, balançando a cabeça.

 

— Mas eu não quero ser refém das sombras do passado — confessou. — Não quero ver eles. Mas quero... apoiar o meu primo. Esse casamento será um novo começo pra ele.

 

Olhou os parceiros com sinceridade.

 

— Quero que seja um novo começo para mim também. Para todos nós.

 

Andrei olhou para Caio, orgulhoso.

 

— Esse é o nosso back vocal. — Incentivou, pondo a mão no ombro do outro. — Estou orgulhoso de você.

 

— Todos estamos. — admitiu Eloy. — Foda-se seus genitores, eles não pagam nossas contas.

 

— E ainda vamos tocar lá, meo. — relembrou Cindy, não escondendo seu entusiasmo. — No casamento de alguém importante pra você!

 

— Sei bem como é ter um passado ruim com a família. — Franco segurou a mão do parceiro com um sorriso solidário. — Vamos estar com você, não importa o que decida.

 

Alê tinha um sorriso mínimo, dando um beijo na testa do vocalista.

 

Caio sentiu seu coração remexer de emoção e os olhos marejarem. Fungou, tirando o cisco do olho.

 

— Eu amo vocês. — repetiu. — E me orgulho do que criamos todos os dias.

 

Eles ficaram um tempinho ali, desfrutando de um raro momento sem discussões ou caos. Apenas se permitindo ser vulneráveis uns com os outros e se amarem sem desculpas.

 

Mas, claro, tratando-se deles, isso não durou muito.

 

— Agora quero vocês três no banho e aquela louça lavada!

 

Cindy decretou, causando risos em Eloy e praguejos em Franco e Andrei. Alê já se movia para o banheiro sem dizer nada.

 

Caio riu, levantando-se também e indo para a cozinha.