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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-04-05
Updated:
2026-05-31
Words:
14,562
Chapters:
3/?
Comments:
2
Kudos:
7
Hits:
32

Euforia Paulista

Summary:

Igor Aventura recebe a visita de seus amigos em São Paulo durante suas férias, mas são surpreendidos ao terem os seus meios de volta para casa cortados por um criminoso anônimo.

Presos na eufórica capital paulista, são obrigados a se unir para investigar e desvendar o caso juntos.

Chapter 1: Despertar da Euforia

Chapter Text

(Esse lugar... Ela não pode me achar aqui, pode?) Pensei enquanto suor escorria pelo meu rosto.

 

Correndo em desespero e sem rumo, eu me escondi no primeiro lugar que achei — Um quarto vermelho com tubos quebrados, parecia ser um laboratório abandonado.

 

Eu vejo uma sombra se aproximar lentamente no corredor, com a silhueta de uma faca em suas mãos, pronto para me matar...

 

— Não adianta se esconder~ — O assassino disse em tom de voz ameaçador.

 

— Hah! Nesse mundo, é ganhar ou perder, amiga. E eu nunca vou descansar enquanto não apostar todo o meu ego para a vitória!

 

Eu pulo de surpresa na frente do assassino, puxando uma pistola e... *Click*

Atiro precisamente em sua cabeça.

 

 

 

 

 

— AHAHAHAHA!!!!! Eu ganhei DE NOVO Rara, não sobra nada pra você! — Eu gritei no microfone. 

 

— Ganhar em jogo do Roblox é fácil, né? Agora ganhar vaga de emprego ninguém quer...

 

— Mas você tá jogando a mesma coisa que eu! A diferença é que você perdeu.

 

— Eu não perdi, só sou uma alma humilde que decidiu dar uma chance para betinhas como você, Igor aventureiro em busca de emprego!

 

 

 

Eu respirei fundo e limpei o meu suor, parece que a minha adrenalina esqueceu por alguns momentos que eu só estava jogando Roblox de novo... Mas isso já fazia parte do meu instinto de pro player desempregado!

 

— Oh amigo, cansei de jogar roblox, a gente já ta a umas 9 horas seguidas jogando...

 

— Quê?! Que mentira que passou 9 horas

 

— É só olhar seu perfil do discord que ta lá bem grande o tempo de jogo — Rara me diz, rindo enquanto eu checo o meu perfil.

 

— Pior que foi né? Acho que deu a hora de eu dormir.

 

— Mas Igor, você não tava dormindo a 9 horas atrás antes de entrar no Roblox?

 

— Dormir nunca é demais quando se está de férias! — Eu falei, desligando o meu pc e me jogando diretamente na cama.

 

Foi caindo na cama, olhando diretamente para o meu teto vazio, que eu deixei os pensamentos e preocupações do meu dia-à-dia finalmente tomarem conta de mim.

(E amanhã? Será que vai ter algum jogo em promoção pra eu comprar?) Eu pensei, enquanto lentamente fechava os meus olhos e me entregava novamente em uma soneca.

 

 

 

...

 

 

 

Bzzzt... Bzzzzt... Bzzzzzzt....

 

 

Eu acordei em cima do meu celular, ele tava vibrando sem parar debaixo de mim, e nem era meu despertador.

 

(Que horas são?) Eu peguei o meu celular, e olhando o relógio vi que ainda eram 12:59. (Quem é o nojento que tá me mandando mensagem cedo uma hora dessas?)

 

Deslizando o meu dedo para cima, vi várias mensagens de Rara no nosso grupinho de amigos do discord. Ela me marcava desesperadamente, mas eu não tinha nem ideia do que ela queria.

 

———————————————

 

[ Rara ]                         12:57

@igoraventura @igoraventura

 

[ Rara ]                         12:57

@igoraventura acorda 

 

[ Rara ]                         12:57

passiva nojenta

 

[ Rara ]                         12:57

ACORDA  @igoraventura

 

[ Henri ]                        12:58

??????

 

[ Rara ]                         12:58

@igoraventura urgente

 

[ Henri ]                        12:58

OQUE HOUVE?!

 

[ Rara ]                         12:58

a desgraca do igor dormindo e eu tenho bomba pra contar

 

[ Henri ]                       12:59

AQUELA LA?

 

[ Rara ]                         12:59

SIM, AQUELA

 

———————————————

 

(O que tá acontecendo? Eu só dormi por umas 10 horas e já teve tempo de acontecer alguma bomba?) 

 

Antes de responder, eu me levanto um pouco, me alongando e respirando fundo antes de avisar ao mundo que acordei.

 

É um pouco engraçado quando me marcam pra falar sobre alguma coisa supostamente chocante que aconteceu, mas pra ser sincero, coisas chocantes vindo DELES já se tornaram parte do meu cotidiano, e eu acho que isso nem é uma reclamação.

 

———————————————

 

[ Igor ]                          13:01

oi acordei

 

[ Rara ]                         13:01

AMIGO

 

[ Henri ]                        13:01

IGOOOR!!!!!!!

 

[ Rara ]                         13:01

PORRA FINALMENTE TU NAO SABE CARA

 

[ Igor ]                          13:01

oqu e?

 

[ Rara ]                         13:01

meus pais vao me levar ai pra capital de sp hoje, vo ficar por uns 2 dias ai

 

[ Rara ]                         13:02

ve se a gente se encontra dessa vez

 

———————————————

 

(A Rara tava me entupindo de mensagens pra isso?) Eu abaixo o celular e paro pra pensar por um minuto.

 

(Da ultima vez que Rara veio até aqui em São Paulo eu meio que fugi pra não precisar me encontrar com ela... Mas mesmo que eu nunca tenha pretendido misturar minhas amizades virtuais com minha vida social real, eu acho que podem ter exceções de vez em quando né?)

 

———————————————

 

[ Igor ]                          13:03

é isso? a gente pode se encontrar sim amg

 

[ Rara ]                         13:03

EBA

 

[ Igor ]                          13:03

e POR QUE vc tava marcando aqui no grupo

 

[ Rara ]                         13:04

segredo ne amg, tem mais coisa soq nao posso revelar

 

[ Henri ]                        13:04

rs 

 

[ Igor ]                          13:04

???????????????????????

 

[ Henri ]                        13:04

nao se preocupa, a rara nao planeja te matar

 

[ Rara ]                         13:04

sera q nao planejo?

 

[ Henri ]                        13:04

não que eu saiba...

 

———————————————

 

(Com TODA a certeza tem algo de errado. Rara falando de segredo e o esquisito do Henrique mandando um rs nesse contexto? eles sabem de algo que eu não sei)

 

Mas sendo bem sincero comigo mesmo, eu tava bastante ansioso pra isso. Rara é uma das minhas melhores amigas, né?

 

Se eu pudesse eu escolheria me encontrar com todos eles... Rara, Henrique, Sarah, Davy, Magnus e até o Romulo! Mas isso é assunto pra quando eu tiver um emprego daqui uns 5 anos... Credo.

 

(Chega de pensar demais, eu preciso ser produtivo hoje!)

 

Eu respiro fundo, entrando no TikTok e passando um tempo lá, até sentir que o meu cérebro estava acordado o suficiente.

 

 

 

...

 

 

 

Quando eu me dei conta, já eram 17:00.

 

Acho que farmei dopamina o suficiente pra passar o resto do dia.

 

(Eu tô com fome, vou fazer um lanche.)

 

Levantando da cama, eu caminho até a cozinha, deixando o meu celular no quarto.

 

(O que eu posso fazer de bom hoje?)

 

Juntando dos itens de maior qualidade e sabor na minha cozinha, eu preparo o mais magnífico e delicioso prato de Igor o Aventureiro: Um pão crocante com queijo derretido e manteiga! 

 

(Isso deve servir.)

 

Eu como o pão em cima da mesa.

 

(Não consigo parar de pensar sobre o que Rara falou, será que ela me atualizou com alguma mensagem?) Sem nem perceber, comi o pão apressadamente enquanto pensava sobre isso. (Bem... Hora de descobrir.)

 

Eu volto para o meu quarto, ligando o meu pc de novo, ansioso pra olhar as mensagens.

 

Quando eu abro o discord... Tinham três mensagens novas em nosso grupo.

 

(O que será que eles falaram?) 

 

———————————————

 

[ Sarah ]                        17:25

gente

 

[ Sarah ]                        17:25

to em são paulo

 

[ Sarah ]                        17:25

acabei de ganhar na queda de braço com

uma streamer famosinha daqKKKK

 

———————————————

 

Para a minha surpresa, nenhum dos dois tinha comentado mais sobre o assunto desde aquela hora. As únicas mensagens novas que tinham eram da Sarah... Inventando mentiras sem nexo de novo...? 

 

(Eu suspeito que ela realmente é mitomaníaca ou algo do tipo, minha nossa.)

 

———————————————

 

[ Igor ]                          17:27

ninguém ta rindo sarah

 

[ Sarah ]                       17:27

E quem disse que era pra rir menino?

 

[ Sarah ]                       17:27

to me divertindo demais

 

———————————————

 

(...Melhor eu ignorar mesmo.)

 

O nosso grupo de amigos tava mais quieto que o normal hoje. Ninguém além da Sarah Chartes mandou mensagem desde que eu acordei, será que eles tão bem?

 

(Preciso me distrair um pouco, não quero pensar demais.)

 

Eu me levantei e fui até a janela do meu quarto. Eu observei a lua.

 

— A lua tá tão linda hoje! — Eu disse para mim mesmo, admirando-a com um sorriso no rosto.

 

Ver a lua cheia e brilhante daquele jeito, por algum motivo, me encheu de felicidade. Eu comecei a rir involuntariamente em um estranho pico de euforia.

 

— Hehehehe... Por que é tão... Bonita... 

 

A imagem da lua começou a ficar cada vez mas embaçada e distante. Meu corpo começou a enfraquecer cada vez mais, parando de funcionar lentamente...

 

— Que boa... Essa sensação...

 

Até eu cair.

 

E apagar ali mesmo.

 

 

 

 

 

 

...

 

 

 

 

 

 

Acordei no dia seguinte, com a cara amassada e minha boca toda babada. Eu tava no chão do meu quarto.

 

(O que aconteceu? Onde eu tô?)

 

Eu me sentei e limpei o meu rosto com a mão. 

 

Meu corpo estava estranhamente leve, é como se eu pudesse voar a qualquer momento.

 

(É sério que eu dormi sem querer DE PÉ?! Caramba, eu preciso urgentemente reduzir o meu sono diário.)

 

Me levantei rapidamente do chão, me espreguiçando e alongando as minhas pernas para tentar ser REALMENTE produtivo hoje.

 

— Bom dia mundo! — Eu gritei alto, tentando animar o meu dia, mas sinto que passei bastante vergonha fazendo isso.

 

Eu procurei o meu celular na minha cama, mas ele não estava lá.

 

(Que estranho, meu celular sumiu? Bem, deve ser um sinal pra eu começar o dia de forma diferente!)

 

Coloquei minhas pantufas e fone de coelho, acompanhados da jaqueta preta com rosa que a minha mãe me deu.

 

(Pra começar o dia bem, eu vou fazer uma surpresa pra minha mãe, talvez... Acordar cedo em um domingo e ainda com as roupas que ela me deu!)

 

Eu sai do meu quarto com um grande sorriso em meu rosto, marchando em direção da sala de olhos fechados.

 

— Bom dia! — Eu gritei empolgado.

 

— Bom dia, Igor. — Minha mãe respondeu, acompanhado de uma risadinha.

 

— Bom dia, amigo Igor!! — Rara me respondeu.

 

 

...

 

 

 

Rara.

 

 

Me.

 

 

Respondeu?

 

 

(O quê?!)

 

 

Eu abri meus olhos gentilmente.

 

E ali eu vi...

 

Eu vi Rara sorrindo, sentada em meu sofá, tomando um café junto da minha mãe. As duas olharam pra minha cara, rindo de mim.

 

— Que porra é essa?!?! — Deixei um grito escapar da minha boca.

 

— AMIGOO! 

 

Rara correu em minha direção, me abraçando com toda a força que tinha. Barulhos de patinho ecoavam da sua roupa.

 

*Quack* 

          *Quack*

 

Rara era bem especial. Roupa marrom, patinhos de borracha espalhados em suas vestimentas e acessórios de morango coloridos. 

 

Mas aquilo não é o que me interessava naquele momento...

 

(Eu to sonhando, não to?! Me diz que eu to sonhando por favor.)

 

— To tão feliz de te ver amigo!! 

 

— O...O que ta acontecendo?!

 

— HIHIHI, você ta vermeeeelho! Ta com vergonha, ta com vergonha!!

 

— PARA! Não to não!

 

Eu estava em mais uma brincadeira idiota com Rara. Mas dessa vez era diferente...

 

Ela estava na minha frente.

 

Não só na minha frente, mas na minha casa.

 

(Como que ela invadiu minha casa?!)

 

— Você precisa me explicar o que tá acontecendo! 

 

— Calma calma calma... Não vamos nos irritar amiguinho! Senta aqui comigo e sua mamãe e eu vou te incluir no nosso papo, que tal? — Rara me respondeu de forma bastante debochada.

 

Eu respiro muito fundo e sento no sofá com a minha cabeça baixa. 

 

— Sua amiga Rara é tão legal, Igor! Você deveria seguir ela como exemplo. — Minha mãe falou enquanto tomava o seu café e desviava o olhar de mim.

 

— OK MÃE! Já entendi, já entendi! Agora me conta logo o que você quer falar, Rara. 

 

Rara se aproximou de mim no sofá. Sua expressão antes alegre mudou pra um semblante triste e preocupado.

 

— Então amigo... Eu vim para São Paulo para te preparar uma grande surpresa! Mas houve uns imprevistos e meio que deu errado.

 

— Surpresa? Você planejou outra surpresa além... DISSO?!

 

— Não era pra ser desse jeito, sabe! Eu vim aqui conversar com sua mamãe pra explicar a ela sobre o imprevisto esquisito... 

 

— Primeiramente, como você achou o meu endereço?! Segundamente, qual era a tal surpresa? E o imprevisto?!

 

— Calma calma calma! Muitas perguntas pra eu processar de uma vez. — Rara deu uma risadinha, se levantando do sofá e ficando de pé em minha frente. Depois de ajustar os óculos redondos em seu rosto, começou a me contar tudo o que tinha acontecido:

 

— Eu cheguei aqui em São Paulo ontem a noite. Eu vim em uma looonga viagem de carro com os meus pais e me hospedei na casa de uns tios meus que moram aqui na capital. 

O problema começou na madrugada de hoje. Eu acordei com os meus pais falando alto e discutindo sobre alguma coisa... Eu me acordei pra saber o que era e descobri que o nosso carro foi destruido! Pneus furados, vidros quebrados, e o motor foi roubado ainda...

 

— Q-Que?! Quem que fez isso? 

 

— Meu pai jura ter visto um rapaz de cabelos brancos correndo quando se aproximou do carro, mas não sabemos se ele tava chapando de sono ou não, sabe? E agora vou ter que passar mais uns dias aqui na cidade atéé eles resolverem isso tudo com a polícia e bla bla bla.

 

Bem, isso é estranho. 

 

Eu não tinha ideia do que responder a ela. Eu sei que é muito errado, mas no fundo eu tava meio empolgado pra passar mais dias com Rara aqui.

 

— Bem... Sinto muito? Errr... E qual a surpresa que deu errado?

 

— Ah sim, o Henrique e o Davy também tão aqui em São Paulo!! 

 

— QUE?! — Gritei.

 

Gritei muito.

 

Nada fazia mais sentido.

 

Eu me levantei e fiquei de frente a Rara. Eu a peguei pelos ombros e a chacoalhei em desespero enquanto gritava:

— Que caralhos vocês tavam planejando fazer AQUI?! O que ta acontecendo? Por QUE eles dois estão aqui também?! Eu NÃO me preparei pra nada disso!!!

 

— Ei ei ei! Vou ter que falar calma três vezes de novo? — Rara deu um tapinha leve nas minhas mãos, e me empurrou de volta para o sofá.

 

— Desculpa. 

 

— Continuando... Os dois vieram para cá juntos ontem de manhã, eles eram a surpresa que eu ia te fazer! Mas eles tiveram um imprevisto igual a mim.

 

— Qual foi o imprevisto que eles tiveram? Grr essa história toda ta me deixando doente...

 

— Calma ao quadrado, Igor. No caso deles dois não foi nada tão grave não, os pais do Henrique só os abandonaram aqui mesmo!

 

— Han?

 

— Quer dizer, é o mais provável. Os pais dele supostamente esqueceram os dois do nada, então na minha cabeça deve ter sido isso, né? — Rara soltou uma risadinha desagradável.

 

Eu fiquei calado por um tempo, tentando processar o tanto de informações que recebi em pouco tempo. 

 

Tantas coisas aconteceram em pouco tempo, que caótico... Eu não sabia como lidar com isso.

 

— Querem um lanchinho? — Minha mãe perguntou, quebrando totalmente o clima. Rara deu um pulinho e gritou empolgada:

— QUERO! 

 

A minha mãe foi até a cozinha. Agora só estavamos nós dois na sala, eu e Rara, nos encarando em silêncio.

 

(Eu não consigo acreditar que ela realmente ta na minha frente, falando cara a cara comigo. Parece irreal...)

 

— Ei, Igor! Esse celular é seu né? — Rara estendeu sua mão e me mostrou o meu telefone.

 

— Sim, é meu!! Onde que cê achou? Eu jurei que tava no meu quarto antes de eu dormir.

 

— Aaah! Sua mamãe achou no chão da cozinha quando eu cheguei, ai ela me deu pra te entregar.

 

(No chão da cozinha? Que estranho, como que ele foi parar lá?)

 

Eu peguei o celular de sua mão e dei um sorriso desajeitado.

 

— Espera!!! — Ela gritou.

 

— A-Ah?! O quê?! 

 

— O Henrique! Ele ta esperando a gente! 

 

Rara me segurou firme pelo pulso, e me puxou correndo até a porta de casa. 

 

— Rara, mas e o lanchinho?!

 

— Eu aceitei por educação, tá?! Vem logo.

 

 

...

 

 

*Quack* *Quack* *Quack*

 

O barulho das minhas pantufas e dos patinhos de borracha de Rara sincronizavam em um coral enquanto nós corríamos no meio da rua.

 

(Eu nem acredito que estou com pantufas e essa roupa rídicula no meio da rua...)

 

— Pra onde a gente ta indo, Rara?

 

— Ué, a gente tá indo atrás do nosso amigo Henri!

 

— E ONDE ele tá? Já fui arrastado por você por mais de 2km, minhas pernas não aguentam tanto.

 

— É uma peninha você ser quase sedentário, amigo. A gente vai andar muito por São Paulo ainda, é melhor ir preparando as suas pernas.

 

Eu fiz birra choramingando e reclamando durante todo o caminho. Toda vez que eu perguntava onde nós estávamos, Rara sempre respondia com aquele maldito "calma calma calma". Eu estava prestes a enlouquecer.

 

— Meu joelho ta explodindo, que desgraça!

 

— Caalma caalma caaalma~ A gente já ta chegando.

 

— Próxima vez que você falar isso eu vou me matar bem na sua frente!

 

— Oooh Igor, eu quem deveria estar reclamando dessa sua birra toda hora, mas to aguentando calada aqui.

 

De repente, enquanto andávamos na calçada, Rara me puxou com tudo para um beco estranho.

 

— Ei! Arrastou a gente aqui pra que?

 

— Estamos na casa do Henrique, ué!

 

— Que?!

 

Tudo o que eu conseguia ver naquele beco era lixo. Tinham duas latas de lixo e várias caixas de papelões jogadas pelo chão.

 

Rara se aproximou de uma das latas de lixo, batendo em sua tampa.

 

*Toc Toc*

 

...O lixo não respondeu.

 

— Han? Era pra acontecer algo com essas batidinhas ou o que?

 

— Puta que pariu viu! O Henrique dormiu.

 

Rara pegou a lata de lixo e a revirou de cabeça pra baixo, chacoalhando com toda a força do mundo.

 

E de lá de dentro... 

 

O cadáver do Henrique caiu, junto com um monte de lixo.

 

Rara chutou a sua bunda com força, balançando-a enquanto gritava: 

 

— Acorda! Acorda! Acorda! Levanta logo daí!

 

— E-Ele tá morto?

 

— Claro que não, né! Ele tava sobre minha responsabilidade, e eu sou clara-ramente a pessoa mais responsável que eu conheço.

 

Henrique deu um pulo do chão. A tampa da lata de lixo estava em sua cabeça, e todo o seu cabelo estava sujo de mato. 

 

(Camisa cinza listrada e essas pulseiras de spike?Se eu tivesse sobre efeitos de drogas, eu provavelmente acharia que é um guaxinim comendo lixo.)

 

É o segundo web-amigo que encontro em um dia e ele está coberto de lixo... Acho que dessa vez não vai rolar abraço não.

 

— Haaaaannn? Onde que eu to? Cadê o Davy? — Henrique falou com sua cabeça girando. 

 

— Finalmente acordou!

 

— Hummmm cordei naada — Ele se sentou no canto do chão, dormindo de novo.

 

Rara se agachou, dando um tapão forte na cara dele e gritando em seu ouvido:

 

— A-COR-DA! 

 

— HehehehaHAHAHAH Tá TÁ! Eu acordei de verdade! Para de gritar! — Henrique disse, se levantando do chão e coçando os seus olhos com as mãos. 

 

(Minha nossa, ele também ta cheio de olheiras. Há quanto tempo esse garoto não dorme direito?)

 

— Peraí... Esse é o igor?! 

 

— SIM?! Eu literalmente sai de perto de você só pra ir atrás dele, lembra?

 

— AAAAH Igor! — Ele se jogou em cima de mim e me abraçou. 

 

(Acho que no fim não consegui fugir de seu abraço mesmo...) 

 

Ele continuou me abraçando forte, parecia que tinha grudado em mim. Rara começou a puxa-lo:

 

— Solta ele Henri! Você ta fedendo a lixo! 

 

— Bem... Agora eu também to fedendo. — Respondi rindo, tentando me convencer a não sentir ódio dele tão rápido em nosso primeiro encontro.

 

O Henrique me soltou.

 

— Me desculpa, Igor. Esqueci que tava dormindo em uma lata de lixo até agora a pouco.

 

— Ta boooom! Não é como se eu tivesse cheirando a flores antes dessa merda acontecer também, né.

 

Henrique cruzou os braços e começou a encarar fixamente o chão enquanto falava:

 

— O Davy... Por onde ele ta?

 

(Verdade, a Rara mencionou que o Davy veio até São Paulo junto do Henri, mas eu não o vi até agora.)

 

— Você não sabe onde ele tá Henri? Vocês não vieram juntos? — Questionei a ele.

 

Henrique abaixou a cabeça, ele parecia estar triste e tenso. Mas de repente, a sua expressão mudou para um semblante irritado.

Ele bateu os seus pés no chão, e exclamou pra todos ouvirem:

 

— Grrah! Você acha que isso é da minha conta? Não é como se eu fosse o responsável dele ou sei lá... Ele saiu de perto de mim e sumiu por ai, eu não tenho ideia de onde ele tá.

 

Rara riu ouvindo aquilo. Eu não entendi o motivo, mas ela me encarou como se soubesse exatamente oque aquilo significava.

 

— Que tal procurarmos por ele juntos? Não podemos deixar ele solto por aqui em São Paulo, né? — Disse Rara, olhando pra mim e dando uma piscadinha...

 

(Essa piscadinha... Ela deve ter algum plano em mente e tá querendo que eu concorde sem falar pro Henrique.)

 

Eu acenei com a cabeça:

 

— Você ta certa Rara. Querendo ou não, esses dois ai são um pouco mais novos que nós, então temos que ser responsáveis!

 

— Aah me poupe, eu sou só um ano mais novo que vocês. o Davy é o único aqui tentando chamar a atenção da gente igual uma criança. — Henri falou, e falou tão rápido que acabou perdendo o fôlego.

 

— Enfim, vamos sair desse beco.

 

Quando nós três estávamos prestes a sair, o beco foi tomado por uma névoa sinistra. Uma música irada e sinistra tocada por guitarra começou a tocar...?

 

— Gente, é só eu que to escutando essa música ou... — Tentei questionar, mas antes que eu pudesse terminar de falar, um vulto rapidamente voou em nossa direção, caindo do céu e acertando brutalmente Rara.

 

— Rara?! — Eu tentei me aproximar rapidamente dela, mas fui empurrado pelo vulto... 

 

Uma entidade mascarada, com cabelos brancos, uma roupa toda preta e uma mochila gigante estava em cima de seu corpo. Ele me encarou com ódio e apontou uma arma em minha direção... Enquanto Henrique se escondeu atrás de mim como se fosse uma criança se escondendo do bicho papão.

 

— Ho ho hoh. Vocês pensarão que escaparão do beco, mas vocês se enganarão! Pois vossa sorte acabou de ACABAR — O anônimo sai de cima de Rara e anda em nossa direção:

— Vocês acabaram de entrar em combate com ninguém mais ninguém menos que EU: O Mastermind Supremo Matador-de-Raras! 

 

— QUE?! — Eu gritei.

 

(Cabelos brancos e mascarado... Puta merda, é realmente o anônimo que a Rara tinha mencionado antes!)

 

Rara se levanta do chão, com suas mãos tremendo de ódio:

 

— Que porra é essa aqui?! Não tem como você ser... Não, espera, você realmente é o criminoso de cabelos brancos! 

 

— Ho ho ho ho! Eu vou endar todos vocês! — O Mastermind Supremo Matador-de-Raras aponta a arma em minha cabeça.

 

— Em mim NÃO! — Eu impulsivamente tento ir pra cima dele pra me defender... 

 

...Mas ele puxou o gatilho...

 

E eu ouvi.

 

 

*Bang* 

 

 

...?

 

 

Eu abro os olhos lentamente.

 

Tinha confete em cima da minha cabeça.

 

(Não é possível.)

 

— Oh ho ho? Oh não! Eu esqueci que a minha Arma-matadora-de-Raras-de-uso-exclusivo não funciona em outras pessoas que não são a Rara! E agora?

 

— Já era pra você Mastermind, a sua máscara vai cair! — Eu aponto meu dedo em sua cara.

 

A música tema de batalha do Mastermind troca para uma versão mais acelerada e caótica.

 

— Ohoh! Não enquanto eu tiver pernas pra fugir! — Ele sai correndo do beco.

 

— Atrás dele, agora! — Rara grita, saindo correndo atrás dele, enquanto nós acompanhamos ela de trás.

 

Nós três saímos do beco em desespero atrás do criminoso, mas ele era muito rápido.

 

(Não posso deixar esse cara escapar!)

 

Eu dou tudo de mim pra aumentar a minha velocidade. Em um instante, eu ultrapasso Rara, e me aproximo do Mastermind.

 

— OHO OHIO! Um betinha como tu não podes me pegar. — Ele tira um skate de sua mochila, usando-o para fugir muito mais rápido.

 

— Que desgraça. Venham pra cá rápido! — Henrique corre até um ônibus em movimento, subindo e se pendurando do lado dele. Ele estende a sua mão para nós subirmos.

 

Eu seguro em sua mão e subo no ônibus, e logo ajudo ele a levantar Rara também.

 

(Eu não acredito que eu fiz isso, eu não acredito que eu fiz isso.)

 

— HAH! Ta vendo que eu posso ser melhor que você, Rara? — Henrique diz com muito orgulho e brilho em seu olhos.

 

— Melhor que EU? 

 

— Melhor que você.

 

— Não é não.

 

— Eu sou sim, seu tabacudo!

 

— Não é não! 

 

— Sou sim! — Henrique coloca a sua lingua pra fora.

 

É bem complicado perseguir um criminoso enquanto estou acompanhando com esses dois moleques hiperativos, né?

 

Enquanto o ônibus pega mais velocidade, nós nos aproximamos cada vez mais do Mastermind.

 

— Tamo quase lá. Vocês tem algum plano? — Henrique questiona.

 

— Ihihi! Eu tenho um plano bem legal, Henrii — Rara se aproxima dele e sussurra em seu ouvido.

 

— Eu NÃO vou fazer isso!

 

— Você tem que fazer isso, Henriii. Quer deixar um monstro desses fugir?

 

Eu estava completamente perdido sobre o que eles dois estavam falando. Sendo bem sincero, eu preferia sempre ficar de fora das brigas desses dois abestalhados.

 

— Igor, a gente precisa da sua ajuda! — Rara me olhou com aquela cara dela. Eu sabia que nada de bom estava por vir.

 

— Do que que você precisa? Fala logo.

 

— Me ajuda a arremessar o Henrique em cima do bixinho.

 

— Que?! Eu tenho cara de jogador de basquete por acaso? Não sou o Romulo.

 

— Por favor! Preciso de você. — Rara enxuga as suas lágrimas imaginárias.

 

Eu respiro muito fundo. Eu poderia estar fazendo algo melhor da minha vida, não poderia? 

 

Mas eu estou com meus amigos.

 

Eu preferia quando fazíamos isso nos jogos mesmo...

 

— TA! Vamos ser rápidos. 

 

— Eba! Vem cá, vamos subir no ônibus pra conseguir fazer isso melhor! — Rara disse.

 

Nós três fomos simultaneamente, dando apoio mútuo para conseguirmos subir.

 

(Ok, aqui parece ser mais espaçoso pra isso...)

 

Eu e Rara levantamos Henri em nossos braços, encolhido como uma bolinha.

 

— Amigos meio que eu não sei se to pronto pra ser arremessado de um ônibus... 

 

— Relaxa bobinho! A incrível Rara promete te dar alguns pontos de aura se você fizer isso. — Rara pisca.

 

— E-Eu não sei se aura pode me ressuscitar caso eu morra nisso, sabe...

 

Com toda a força e equilíbrio que tínhamos, eu e Rara começamos a girar Henri em nosso braços, pegando cada vez mais velocidade para o arremessar.

 

Gira, gira, gira, gira, e...

 

— VAI! 

 

Nós o arremessamos brutalmente na direção do criminoso. A única coisa que se podia ouvir era o seu grito, que ficava cada vez mais baixo enquanto ele se distanciava.

 

*Ploft* E acertamos em cheio.

 

— EBA EBA EBA! Conseguimos! — Rara comemorou dando semi-pulinhos não tão arriscados...

 

Nós descemos com cuidado do ônibus ainda em movimento, e corremos em direção aos dois, caídos no chão.

 

— Isso! Você conseguiu Henri, bom garoto. — Rara disse enquanto dava tapinhas em suas costas, mas ele não parecia estar acordado o suficiente para reagir.

 

— Oh... Hoh... Hoe... Vocês me capturaram...

 

— Acabou para você, cachorro! É hora de finalmente descobrir quem você é e fazer justiça. — Eu disse enquanto me aproximava do criminoso, que estava sentado no chão.

 

 

Eu me ajoelho em sua frente, segurando a máscara que estava em seu rosto, e removendo-a lentamente...

 

 

E ali estava...

 

 

Um rosto meio familiar.

 

 

— oHOHOHOH! Vocês acharam que estavam lutando contra o Mastermind, mas era eu! — Ela puxa a peruca de sua cabeça. — Sarah Fudendo Chartes!!! 

 

— O QUE? — Eu, Rara, e até mesmo Henrique que estava desacordado, gritamos em sincronia.

 

— Era tudo mentira, seus otários! Eu nem sei quem é isso de porra de Mastermind, eu só quis fazer uma surpresa pra vocês.

 

— Sarah Charteeees! Como você pode ser tão nojenta e escrota a esse ponto?! — Rara gritou emburrada.

 

— Nojenta é a puta que te pariu, eu só sou escrota mesmo.

 

— Você quis dizer que a minha mãe é puta? Sua escrota misógina!

 

— Ah é? Idai?

 

A briga das duas evoluiu tão rápido que, em um piscar de olhos, elas estavam puxando o cabelo uma da outra e se socando.

 

...Eu não sei se eu deveria fazer algo.

 

Eu já tinha me chocado o suficiente.

 

— Não bota suas mãos porcas nos meus cachos, Rara!

 

— Oi?! Porca é você! 

 

...

 

Eu lentamente me afasto de lá.

 

E caminho para longe daquela bagunça.

 

Até alguém vir correndo atrás de mim, tocando em meu ombro enquanto respirava ofegante:

 

— I-Igor! Perai! — Era Henrique.

 

— O que foi agora?

 

— Err, desculpa pela bagunça de hoje e tals, não queria que o nosso primeiro encontro tivesse sido assim, sabe.

 

— Eu não ligo pra isso, foi divertido.

 

— Ahn?! Foi?

 

— Foi ué, não fui eu que me ralei no chão. HAHAHAH!— Eu ri da cara dele.

 

— Chega chega! Você vai querer jantar com a gente ou não? Eu meio que não como desde ontem e to morreeendo de fome.

 

— Tem certeza que elas duas vão? A briga ta meio feia né...

 

— Que briga? — Henri aponta para trás. As duas estavam vindo em nossa direção, de mãos dadas e com grandes sorrisos em seus rostos.

 

(Ai caralho, é difícil de entender elas.)

 

Rara se aproximou de mim, dando pulinhos de alegria e me abraçando:

 

— Amigo Igor aventureiro! Eu to tãoo feliz! Que tal a gente ir pra algum canto nós quatro?

 

(...Ela realmente tá feliz depois de brigar com nossa amiga, meu deus. Onde que eu me meti?)

 

— Err, pode ser né. Que tal a gente ir lanchar por ai?

 

— Eu quero! Eu quero! — Henri começou a pular de alegria.

 

— Se o Henri quer eu quero! — Rara começou a pular junto.

 

— Se a Rara vai eu vou! — Sarah começou a pular junto deles...

 

...

 

Eu tomei a liderança como o "Og Paulista Lendário" e os guiei para qualquer lugar bom que eu conhecesse. 

 

E lá estava eu, onde eu nunca imaginei que poderia estar... Caminhando junto de mais três amigos que até agora a pouco eu nunca nem tinha conhecido em pessoa.

 

(Bem, acho que depois disso tudo eu realmente posso aceitar o título de aventureiro que Rara me deu, não é?)

 

— Ei, olhem pro céu! — Sarah falou, enquanto apontava para cima.

 

O céu estava alaranjado, o sol estava se pondo.

 

(Será que a lua esta noite estará tão bonita quanto na noite passada?) 

 

Eu soltei uma risada baixa.

 

...

 

Eu ainda me sinto confuso sobre isso tudo.

 

Eu não sei o que realmente está acontecendo, e nem sei porque está.

 

Mas independente do que for, eu to mais ou menos feliz de estar acompanhando por eles.