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I put a spell on you (and now you're mine)

Summary:

Mudança do cânone pós 5x05
Mike realmente tem uma tara por amigos com poderes.
E, por oportunidade do destino, ele consegue ficar sozinho com Will.
O resultado é confuso, intenso, inesperadamente engraçado e bem menos controlado do que qualquer rolagem de dado permitiria.

Notes:

Okay, eu comecei a escrever essa fic antes de terminar os episódios do volume 2 e, depois do final, fiquei absolutamente desestimulada a continuar. Contudo, mesmo tendo detestado o final da série e ter me sentindo usada de N formas - como pessoa queer, sim, me senti beitada rs - não queria descartar esse trabalho.

Aproveitem! :)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

 

Ele conseguiu.

O pensamento rodava como um disco riscado na mente de Mike.

Ele conseguiu de novo.

Assim como da primeira vez, lá estava Will, exausto depois de ter travado uma batalha mental com Vecna, e, ao mesmo tempo, ansioso com todos os caminhos que isso abria. Mike estava maravilhado e também travava uma batalha particular ao lidar com  toda essa nova informação. Ele ainda estava processando os três demogorgons e, agora, Will havia conseguido acessar o general cinco estrelas. 

Dano crítico, pensou. Ou quase.

Talvez o próprio Mike tenha sido vítima daquele show de mágica.

 

— Você deveria ouvir sua mãe.— advertiu Mike oferecendo um copo d’água para um Will visivelmente inquieto em seu sofá no porão.— Não é hora de agir. Você sabe como a El fica quando usa muito seus…— podia uma palavra causar tanto rebuliço assim? Na perspectiva de Mike, sim.— poderes.

 

— Não sou como a El.— seus olhos giram nas órbitas e há um sorriso confuso e hesitante ali. Ele repousa os olhos na ondulações da água. Mike se senta ao seu lado— Eu fiquei assustado, Mike.

 

— Com o que?

 

— Com o quão longe eu pude ir. Imagino que tenha sido uma cena sinistra.— e ele não fala isso orgulhoso, mas desconfortável, como se estivesse pisando em ovos com Mike há anos já. 

 

— Sinistro? Você estava incrível!— suas palavras se embolam e o entusiasmo toma a frente, a mão de Mike apertando o ombro de Will, mas soltando logo que percebe o leve tremor no amigo.— Incrível tipo divino.

 

— Divino?— aquilo satisfaz Will mais do que ele gostaria.— Você é o paladino da campanha.

 

— Sabemos que existem alguns feiticeiros de linhagens especiais. 

 

— Eu não sou especial, Mike. Só sou uma consequência.— o tom de Will cai duas notas, enfraquecido, mas não menos interessado na conversa. Ele adorava a forma apaixonada com que Mike se envolvia no assunto com referências minuciosas à D&D. 

 

— Você não é uma consequência.— uma pausa.— Para mim.— quando eles chegaram tão perto um do outro? Seus joelhos se tocavam, mas nenhum dos dois havia percebido. Seus olhares permaneciam intactos e havia uma troca de mensagem ali, mesmo que nada mais saísse de seus lábios. 

 

— Feiticeiros podem interpretar mal os sinais… 

 

— Por isso eles precisam usar a intuição.— da mesma forma que a mão de Mike tocou o ombro de Will outrora, ali estava ela agora, acima da coxa do joelho de Will e descendo, sutil.— Use a intuição, feiticeiro. 

 

Embriagado daquela poção mágica, Will corta a distância entre eles e beija Mike, que fecha os olhos instantaneamente. Os lábios de Will se tensionam, em primeiro momento, mas logo se envolvem conforme a mão de Mike para em sua cintura, acariciando-o em um gesto que proporciona todo o conforto do mundo. Mike deseja que Will se sinta bem. Se sinta inteiro e desejado. Assim, Mike deixa o beijo se intensificar, abrindo suavemente os lábios para encarar um Will mais convicto e penetrante. Ele é um feiticeiro, repete Mike para si mesmo, notando a ligeira mudança de personalidade de Will que não é nada estranha, pelo contrário: lhe causa excitante curiosidade. As mãos de Will sobem para seus cachos escuros, que são amassados conforme o beijo fica cada vez mais elaborado. Mike brinca com a língua. Com seu lábio de cima. De baixo. E, na voracidade, quase esbarra com os dentes de Will, o que não passa batido por Will e gera um intervalo cômico para respirar:

 

— O paladino já não treinou o suficiente? 

 

— O paladino está muito excitado para calcular seus movimentos.— à medida que as palavras saem de sua boca, a vermelhidão vai subindo do pescoço de Mike até a faixa debaixo dos seus olhos. Olhos escuros e brilhantes.

 

Dessa vez, é Mike quem retoma o beijo, puxando Will para cima de si ao se deitar no sofá. Nesse movimento, a camiseta de Will sobe o suficiente para Mike ver uma oportunidade de entrar em contato com mais um pouco de pele. Suas mãos sobem, animadas, da cintura até as costelas de Will. 

No momento em que um arrepio se evidencia bem ali, debaixo dos seus dedos, Mike não consegue conter um gemido entrecortado, que se torna mais molhado e cativante à medida que seus corpos se movimentam. O espaço era escasso, mas Will consegue posicionar seus joelhos lado a lado do quadril de Mike, que ganhava vida própria conforme o feiticeiro sabia muito bem que tipo de pressão fazer e onde. Com uma hesitação inicial, Mike leva a mão da cintura para a bunda de Will, instigando-o a continuar sua missão de roçar, repetidamente, suas ereções. Todo o calor era problemático. Um problema saudável, claro. Acontece que Mike temia se perder mais cedo do que gostaria, ele começando a fugir de movimentos mais audaciosos vindo de Will.

 

— Muito rápido?— questionou Will, um pouco enrubescido, um pouco descabelado. A ruga de desespero se contrai em sua testa. Assim como a de Mike:

 

— Não, não, quero dizer, talvez? Não sei.— quantas palavras em tão pouco tempo! Ele agradeceu o Mike do passado por ter passado o jantar, se não estaria presenteando Will com algo desagradável nesse momento.— Eu só… não quero, hm…— sem saber pra onde ir, ele olha, furtivo, para a própria ereção.

 

— Ah!— Will engole seco, a ponta da língua umedecendo sem qualquer propósito seus lábios já molhados. Há um brilho orgulhoso em seu olhar e Mike percebe.— Melhor do que esperava? 

 

— Ora, já se olhou no espelho?— as palavras fogem da boca de Mike e ele se sente com doze anos anos mais uma vez. Quando não havia barreiras emocionais ou qualquer tipo de julgamento interno.— Não menti quando falei que você era divino. 

 

— Antes ou depois de ganhar poderes?— Will precisava ter certeza mesmo que, no fundo, já soubesse a resposta. Ele se sentia em um verdadeiro espetáculo assistindo Michael Wheeler se embaralhar em suas respostas e, de praxe, estando duro como uma rocha embaixo de si.

 

— Isso foi só a cereja do bolo.— Mike é conciso em sua resposta, pois seu olhar fala mais por si. Ele divaga pelo colo de Will, suas mãos subindo pelo esterno e servindo de apoio para retomar novos beijos, agora na pele avermelhada do seu pescoço. 

 

Quando Mike está prestes a forçar um pouquinho mais seus lábios para produzir uma marca de amor ali, Will o empurra para baixo novamente:

 

— Eles vão comentar, Mike!— e claro que comentariam. Lucas e Dustin tinham olhos de Lince, mas seria Nance a elencar quem havia sido o culpado daquilo. Ela tinha olhos em todos os lugares.

 

— Seria tão ruim assim?

 

— Quero dizer…— bem, havia muita ambiguidade na resposta que queria dar. Se não fosse a década, se não fosse Indiana, se não fossem os jornais…

 

— Eu sei.— Mike estende suas mãos e entrelaça seus dedos com os de Will, produzindo um aperto não apenas carinhoso, mas otimista.— Só eu saber basta. Contanto que… 

 

— O que?— ia dizendo Will conforme presenciava Mike inverter suas posições, este retomando o controle como o paladino que era. 

 

— Só eu te toque também.— ele se afunda mais uma vez no calor do feiticeiro, a ponta do seu nariz resvalando os fios sem corte do cabelo, produzindo arrepios que são sentidos pelos lábios de Mike. De baixo, Mike observa o pomo de adão de Will ir e voltar. A luz indireta do porão provoca um contorno não apenas agradável à sua mandíbula, mas sim assustadoramente excitante. E então, mais uma vez, as palavras fogem da boca de Mike, ditando as regras: — Posso te chupar? 

 

— Mike!— todos já haviam dormido àquela altura do campeonato, mas não era a altura da voz de Mike que preocupava Will e sim o teor.

 

— Por favor! Não… não deve ser difícil…— ele estava tão envergonhado e, ao mesmo tempo, tão ansioso. Ou desesperado.— Prometo que vai ser legal. 

 

Will remexe a boca algumas vezes, temeroso de se enveredar por um caminho que não sabia como Mike voltaria de lá, mas, seja pelos hormônios ou pelos (poucos) argumentos do paladino, ele concorda. Okay, qual é a melhor posição para isso?, pensa Mike de si para si, ao qual Will o responde mesmo sem ter perguntado:

 

— Acho que é melhor você ficar de joelhos. Você é meio-

 

— Longo?

 

— Desengonçado.— completou Will, um riso abafado complementando a fala. Ele se remexe, sem jeito, acompanhando Mike ajoelhar-se e arrastar as mãos por suas coxas. 

 

Quase não havia silêncios desconfortáveis entre Mike e Will.

Nutrir uma amizade por anos a fio tornava as bolhas entre uma fala e outra algo tão comum quanto respirar. Mas ali, com Mike entre suas coxas, parecia estranho, fora do lugar, não estampar seu semblante mais desconexo e inebriado. E ele estava apenas o beijando. Subindo seu shorts, já curto, para abocanhar um bom pedaço de pele. Mike gosta de morder. Listado. Mike gosta de sugar. Listado e destacado com caneta vermelha. 

Will sente o ar falhar. Ele desvia o olhar. Seus olhos se fixam em qualquer coisa exceto Mike: a rachadura na lateral do teto, teias de aranha, a ponta do tapete dobrada. Ele deveria se distrair? Talvez para não decepcionar Mike. Mas seria tão ruim se acabasse tão rápido? 

Acontece de novo: o ar para no meio do caminho.

Will aperta os olhos. Seus cílios se esfregam no topo das bochechas. Uma das mãos desce até os cabelos de Mike, involuntariamente. Agora, de forma muitíssimo voluntária, Will pressiona Mike para mais. Mais forte. Mais fundo. 

Do outro lado, algumas lágrimas furtivas.

Mike se contorcendo para roçar a própria ereção na quina do sofá.

As bochechas infladas. Rosadas. Sobrancelhas franzidas. 

 

— M-Mike…— quantos minutos já haviam se passado? Seria muito precoce se acabasse agora? Meu deus, ele precisava se desfazer ou seu sangue iria fritá-lo. Ele sabe que não é possível, mas, porra, nada parecia plausível nos últimos meses. Ou anos.— Eu… eu devo…? 

 

A boca se desconecta com um “pop”.

 

— Por favor.— é quase uma prece, assim como o brilho nos olhos do paladino, que continua: — Eu quero ver. 

 

Então seria assim.

Sem muitos rodeios, Mike dá apenas mais algumas bombeadas, os olhos concentrados como se estivesse em uma prova de cálculo, e então: boom! Listras peroladas marcam o estômago de Will, o resto subindo e descendo imediatamente para o punho fechado de Mike, que se movimenta uma última vez para extrair mais um ronronado de Will. Na mosca.

 

— Porra.— no mesmo momento que sai, Will se constrange, se afastando do sofá para dar espaço para Mike ao seu lado.

 

— Como foi? Bom?— o paladino estava obcecado pelo feiticeiro.— Divino?— repete-se. 

 

— Algo assim.— respondeu um Will em formato de gelatina.— Você…? 

 

— É… Bem, não se preocupe com isso…— Mike não sabe quando aquilo aconteceu, mas não havia mais ereção ali embaixo e sim uma grande mancha que tentava encobrir com a camiseta. 

 

Eu fiz isso, concluiu, deslumbrado, o feiticeiro. 

 

— Hm, posso fazer um convite?— perguntou Will se ajeitando no que sobrou de suas roupas, aceitando alguns lenços de papel que Mike trouxe para si. 

 

— Claro.

 

— E se dormíssemos juntos? Só essa noite? 

 

— No meu quarto?— Mike junta as peças.

 

— Isso. É. Pode ser. 

 

— Você não pode se convidar para dormir no meu quarto.— Will se intimida com a resposta, mas os poucos centímetros que Mike arqueia uma das sobrancelhas já o acalmam: — Eu que deveria te convidar. 

 

— Rebobine a fita, então.— concluiu Will, rindo dos sons ridículos de fita sendo rebobinada pelo paladino.

 

— Quer dormir no meu quarto hoje, feiticeiro?— Mike oferece a mão.

 

— Mas é claro. 

 

Isso teria sido tão mais difícil com Ted Wheeler na sala. 

Não que esse pensamento tenha passado na mente de Will, claro, mas era inegável. Ainda assim, tirar os sapatos e dosar os passos até o quarto de Mike foi necessário, pois Nancy, Jonathan e Joyce ainda estava na casa. Em todo o percurso, Mike segura a mão de Will, algo que não muda quando eles já estão devidamente ajeitados debaixo das cobertas. Mas por mais que o que aconteceu momentos atrás tenha sido um divisor de águas, algo que mudou instantaneamente a química do seu cérebro, deitar na cama do seu melhor amigo, abraçado a ele, parecia fora de lugar. 

Então Will pensou. Pensou. E pensou. O que aconteceu realmente? O que somos? O que isso muda para nós? As pelinhas da boca se vão em pouco tempo e seus olhos fogem da cabeleira cacheada de Mike. Íntimo demais. Doméstico demais. Assim como suas pernas entrelaçadas entre as dele, sua mão posicionada no seu quadril, a boca há poucos centímetros de seu pescoço. Will quase sente um zumbido no ouvido; era Vecna? Ansiedade? Seu corpo se recompondo depois de ter dado seu primeiro beijo e feito sexo (ele poderia se considerar desvirginado?) numa tacada só.

 

— Você pode falar comigo...— oh, Mike estava acordado. Há quanto tempo?— Se quiser.— então ele se vira, encontrando uma lua no lugar do rosto de Will. 

 

— Desculpa se te acordei.

 

— Eu não estava dormindo.— Mike se esgueira para mais perto, um pouco acanhado, um pouco sonolento.

 

— Hm…— começa Will.— O que tudo isso significa?— à partir do momento em que as palavras saem, uma a uma, seu coração o presenteia com espasmos e arritmia. 

 

— Bem…— Mike  busca uma resposta.— O que você quer que signifique.

 

— Mas e se o que eu quero não for o mesmo que você quer?

 

— Isso não é possível.— mesmo na parca luz, Will consegue identificar um sorriso sagaz ali, o mesmo sorriso que presenciou em Mike quando estava de mudança para a Califórnia. 

 

Havia muitos motivos para prolongar aquela conversa.

Havia muitos porquês e muitas cismas e muitas dúvidas. 

Mas ali, com seus tornozelos enroscados e, agora, os dedos entrelaçados, parecia surreal insistir em palavras quando esse espaço poderia ser preenchido com beijos.

Bastaria. 

Por hora.

 

Notes:

Todo mundo sabe que foi no último ep da season 3, naquela última ceninha entre os dois, que o Mike percebeu que gostava mais do Will do que da Eleven - e nada vai tirar isso na minha cabeça.
Elogios? Críticas? Dei uma revisada antes de postar, mas pode ter passado alguma coisa...
Estou roteirizando uma longfic dos dois pós-cânone inspirada na participação patética do Finn Wolfhard no SNL - fazer dos limões um grandesíssimo mousse calórico de limão né. Se tiver interesse, segue/se inscreve no perfil pra ser notificado! :)