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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-12-07
Completed:
2026-01-31
Words:
89,976
Chapters:
55/55
Comments:
9
Kudos:
21
Bookmarks:
3
Hits:
454

Perfeitos um para o outro

Summary:

Ao escolher aquele recruta, Levi Ackerman, mais conhecido como Capitão Rivaille, mudou a sua vida completamente sem nem sequer perceber.

Era simples. Escolher um recruta, treiná-lo para que pudesse usar sua arma e depois tê-lo ao seu lado nas missões como seu ajudante ou parceiro. Mas algo deu errado em seus planos; o erro foi escolher aquele garoto. Eren escondia um grande segredo, tão grande quanto a admiração que tem por Levi, admiração essa que vai pouco a pouco se tornar algo mais profundo.

Eles deveriam ser companheiros e parceiros, mas no campo de batalha, e não na cama.

Vivendo isolados naquela base perigosa, enfrentando bestas quase todos os dias, às vezes contrariando ordens do exército e até mesmo lutando batalhas de vida ou morte. Em meio a um cenário como esse, desenvolver um relacionamento amoroso é uma ideia distante para pessoas normais... Felizmente, esses dois são qualquer coisa, menos normais.

Levi Ackerman, Capitão Rivaille, ele é o "exército de um homem só", capaz de lidar com qualquer coisa... Estaria dentre suas habilidades conseguir resistir a um garoto de olhos verdes?

Chapter 1: O recruta

Chapter Text

Capítulo 01: O recruta

 

Cinco da manhã e lá estava eu, sentado na sala de Erwin, escutando-o falar sobre minhas perigosas missões e sobre como eu precisava de alguém com quem trabalhar.

Isso acontecia de tempos em tempos, mais especificamente, quando eu me machucava em combate.

— Sei que não te agrada a ideia de ter que trabalhar com outro soldado, pois muitos pensam diferente de você. Então que tal se escolher um dos novos recrutas? — disse meu velho amigo, andando pela sala e parando em frente à janela.

— Recruta? — Ali estava uma novidade. Aquela conversa sobre eu arranjar um parceiro para me ajudar no combate já tinha se repetido muitas vezes em todos aqueles anos, mas aquela era a primeira vez que tal solução era mencionada.

— Sendo um iniciante, você poderá treiná-lo como quiser e, sendo alguém sem um estilo definido, poderá adaptá-lo para usar essa arma de locomoção que criou com Hange e que só você pode usar — explicou seus motivos, me convencendo quando o assunto era ter que lidar com outro soldado.

Seria chato e problemático ter que lidar com outra pessoa, mas, sem dúvidas, a ideia de ser um jovem recruta era melhor do que aqueles soldados cheios de frescuras e discursos sobre o que era certo ou errado.

Só de imaginar ter que conviver com alguém assim, me dava arrepios.

Resolvi aceitar a ideia do Comandante. Não por achar que daria certo, mas porque, se eu tentasse, poderia conseguir um ajudante ou mostrar que aquela ideia não iria dar certo. De qualquer modo, tiraria Erwin do meu pé por algum tempo.

Após receber a minha resposta afirmativa, ele me deu dezenas de arquivos para olhar. Passei os dias seguintes lendo as informações de cada um, vendo incríveis lutadores, inúteis e até pessoas interessantes. Havia três recrutas que me chamaram bastante a atenção, e por diferentes motivos.

Eles eram Mikasa Ackerman, Armin Arlet e Eren Jaeger.

A garota, chamada Mikasa, tinha o sobrenome Ackerman como o meu, uma representação de grande força e habilidade. O garoto Armin possuía uma inteligência invejável e poderia se adaptar facilmente a qualquer situação. O terceiro era o mais comum dos três, mas seu sobrenome era o mesmo do famoso médico do exército que estava desaparecido, o que me chamou a atenção.

Além disso, os três vieram do mesmo lugar; eles eram de Shiganshina. Eram três sobreviventes da primeira cidade atacada pelas bestas, quando o problema com a quebra das barreiras começou.

Mesmo sendo crianças, eles sobreviveram ao banho de sangue, conhecido como “O início”, o que os tornava muito interessantes.

O dia em que os recrutas chegaram ao exército era o dia em que eu teria que escolher um deles. Minhas primeiras opções eram Ackerman ou Arlet e mais dois que mostraram ter grandes capacidades. Não queria ter que treinar alguém inútil; isso tomaria muito tempo e poderia não dar resultados positivos.

— Capitão Rivaille! Soube que vai levar um dos recrutas com você — disse Petra, correndo até chegar ao meu lado e me dando um sorriso. Ela era algo como: uma amiga que gostava de mim e para quem nunca dei chance alguma.

— Não estou fazendo isso por escolha própria — disse, ainda seguindo em frente e ouvindo-a rir ao meu lado.

— Foi o que pensei. Espero que consiga encontrar um bom parceiro ou uma boa parceira. Venha me visitar quando tiver um tempo, gostaria muito de conversar como antigamente — pediu, acenando com a mão em despedida e indo até seus colegas de trabalho.

— Como se eu tivesse tempo para algo além de dormir — sussurrei depois que ela já estava longe, lembrando-me dos relatos de bestas que eu recebia frequentemente e sobre os quais precisava fazer algo. Isso quando não estava em alguma reunião ou sendo repreendido por algum superior que achava ser melhor que eu, só porque seu salário era maior.

Segui até o escritório do Comandante e, quando cheguei lá, ele ainda não estava. Segui até a janela e observei os recrutas que se alinhavam no pátio, antes de olhar para a minha própria imagem que era refletida no vidro.

Meus cabelos marrons e a franja nas laterais do rosto, eram o mesmo penteado que eu havia usado em todos aqueles anos. Meus olhos também castanhos, sérios e que sempre continham traços de cansaço ou olheiras, também eram os mesmos. Nunca houve grandes mudanças desde minha adolescência, mesmo em minha altura, que não era tanta para um homem.

Seria por sempre parecer o mesmo, que eu sentia como se a vida passasse de modo muito lento? Ou seriam aqueles dias que sempre se repetiam que me davam a impressão de que cada dia que passava parecia ser o mesmo do anterior?

— Pensando no quê, Rivaille?

— Nada de mais. Vamos — chamei, saindo da janela e indo até a porta por onde ele acabara de chegar. Montamos nossos cavalos, que haviam sido preparados com antecedência, e seguimos até os recrutas.

Enquanto eles eram instruídos e alguns testados, eu e Erwin passeamos de cavalo ao redor do grande campo em que eles estavam. Eu os observava, comparando as informações que recebeu com a realidade, enquanto o meu amigo me dava mais informações, sempre que eu mencionava um nome que era do meu interesse.

— Você parece ter interesse nos três que vieram de Shiganshina.

— Eles já tiveram contato com as bestas e, mesmo assim, entraram para o exército, então não preciso me preocupar em ter que vê-los fugindo em meio a uma batalha — esclareci, sabendo que pessoas que nunca viram as bestas, como quase todos ali, iriam logo morrer ou fugir. Pois quem não consegue lutar contra o medo, não pode enfrentar um inimigo.

— Está entre Arlet e Ackerman? — perguntou, tentando entender o que se passava por minha cabeça. Não lhe respondi e continuei a olhar para os recrutas, até que vi algo que me chamou a atenção, fazendo-me puxar as rédeas do meu cavalo, parando-o.

O olhar daquele garoto era o de alguém que viu o inferno e voltou com vida, alguém que fez mais do que viver, alguém que já precisou matar em sua vida. Eu tinha certeza de ter visto em sua foto que seus olhos eram verdes, mas, por um momento, eu vi olhos amarelos, olhos cheios de raiva.

Já havia visto aquele olhar dezenas de vezes e poderia reconhecê-lo em qualquer lugar. Era possível que eu estivesse errado, mas algo me dizia que aquele garoto era diferente e que ele estava escondendo algo. Além disso, ele emanava uma aura diferente da dos outros.

Enquanto alguns queriam alcançar seus objetivos, outros pareciam querer sobreviver e muitos queriam vingança, provavelmente pessoas que perderam parentes ou amigos para as bestas. Mas ele era diferente, seu olhar dizia: “Vou matar todas aquelas bestas”. Eu quase podia sentir aquela sede de sangue.

Era alguém sem habilidades e que me daria trabalho, mas, com aquela vontade, ele poderia sobreviver. Além disso, eu podia sentir o conflito de suas personalidades. Apesar de querer lutar, ele não parecia ser alguém acostumado a isso. Na verdade, parecia ser o tipo de pessoa que não sobreviveria em um exército. Era muito interessante.

— Quero ele — disse, dando um pequeno sorriso ao imaginar a idiotice que estava fazendo e na loucura que minha vida iria se tornar com a presença de um pirralho.

— Ele, quem? — questionou Erwin Smith, parecendo surpreso, pela primeira vez em anos.

Comecei a galopar para longe, assim que lhe disse aquele nome:

— Eren Jaeger.