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Depois que você se foi...

Summary:

Um cadáver foi encontrado debaixo da árvore de cerejeira... Esse cadáver era de Ajia Ashitomi, uma grande amiga de Taro...

Como Taro vai lidar com o assassinato de Ajia? Talvez ele não vá...

Notes:

Ola, aqui está uma One-shot de como Ajia foi assassinada e como Taro (não) lidará com isso!

Alias, devo dizer que eu odeio Yanderedev por fazer Ajia alguém tão horrível e por ser um predador do caralho, então, como não posso mudar ele, vou mudar uma coisa na Ajia! Ela não será uma vadia xenofóbica e nem racista, apenas é uma grande patriotra (sim, patriotismo e nacionalismo tem diferença) que tem pais muito tradicionais. Não que isso importe muito aqui...

Também devo dizer que posso errar muito ao escrever no teclado do tablet em grande velocidade e que escrevi isso de madrugada então não esperem coerência <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

O vazio preenchia o quarto. Taro olhava fixamente para o seu celular, a tela mostrava a conta de Ajia Ashitomi, uma garota comum de Akademi, com três fotos, a primeira com um prato que ela fez datada de 1 ano atrás, a segunda sendo um templo japonês que ela visitou datada de 7 meses atrás, e a terceira era uma foto de Taro e Ajia, ambos sorrindo alegremente após um "encontro secreto" em uma sorveteria, datada de apenas uma semana atrás...

Sua conta era privada e tinha apenas Taro, Mina e um primo distante de Ajia a seguindo, ela mantinha a conta escondida dos pais que desaprovavam o uso de redes. Mas agora, aquela conta que usaram para conversarem entre si por tanto tempo, a conta que ela tanto escondeu dos colegas, a conta que quase ninguém da escola sabia da existência, agora nem dona tinha mais...

Ontem... sexta-feira...

Menos de um dia atrás.

A vida de Taro simplesmente desabou. A garota que ele prezava tanto, que ele era tão amigo e que tinha sentimentos, simplesmente morreu.

Seu corpo foi encontrado já sem vida pela manhã quando a escola abria, de baixo da árvore de cerejeira, seu uniforme estava manchado de sangue, suas costas mostravam três facadas profundas feitas em seu coração, seu avental estava quase se soltando de sua cintura, uma de suas maria-chiquinha estava desfeita, com seu elástico perto do corpo também.

Além disso, o fato -talvez- mais perturbador disso tudo, era que em seu bolso, tinha um bilhete pedindo para que ela se encontrasse com alguém misterioso para conversar sobre "paixões" e ao lado de seu corpo, havia outro bilhete, desta vez com um papel branco e quadrado, dobrado duas vezes no meio. Nele dizia:

"O senpai será meu, e se qualquer outro alguém tentar se aproximar dele como essa vadia fez, farei o mesmo sem hesitação...

Ass: sua admiradora secreta."

...

Quando encontraram o corpo, ligaram imediatamente para a polícia, e logo um burburinho se espalhou pela escola. Quando Taro ouviu sobre uma aluna do clube de culinária morta debaixo da árvore, ele correu para ver, desejando que fosse mentira, apenas mais um boato maldoso.

Mas quando chegou, ficou paralisado, ela não apenas morreu, mas foi visivelmente assassinada, cruelmente assassinada pelas costas...

Sua pele estava pálida, seus olhos entreabertos e opacos, diferentes dos olhos cheios de vida que Taro adorava ver. Ele se sentiu tonto ao ver cada detalhe da cena, a pétala em sua bochecha, a boca com seu gloss levemente borrado, seu uniforme amassado, as leves marcas de lágrimas que caíram de seus olhos já sem vida. Suas pernas falharam, e ele caiu de joelhos, e então as lágrimas surgiram, derramando em suas bochechas, maxilar e queixo como um rio sem fim, sua boca tremia incontrolavelmente e sua respiração ficava cada vez mais pesada, como se seu pulmão fosse ficar sem ar, logo depois, sentiu uma ânsia de vômito que foi interrompida pelos soluços cada vez mais altos e frequentes.

Algumas das poucas pessoas a sua volta soltaram lágrimas pelo estado deplorável do corpo, algumas ligavam para a polícia e forneciam detalhes e outras tentavam consolar Taro, que estava tendo a pior reação dentre todos. Pelo menos ninguém mexeu no corpo até a polícia chegar.

Quando a polícia chegou, muito dos professores estavam presentes, outros alunos tinham chegou para ver a cena e o diretor e a conselheira chegaram para discutir a situação com a polícia. Os agentes afastaram todos da área, deixando apenas o diretor e a conselheira para interrogatório imediato. Todos tiveram que ir para o auditório, alunos, professores e até outros funcionários, Taro estava isolado em um canto, se acalmando aos poucos enquanto tentava não pensar na cena que havia visto.

Os policiais investigaram um por um, chamando os alunos para um canto isolado com uma mesa, um gravador e um bloco de notas com um lápis.

A maioria não sabia do acontecido, alguns mal conhecendo Ajia, outros dizendo que nem no local estavam. Taro e alguns outros alunos foram chamados para ir a delegacia para dar um depoimento detalhado do encontro do cadáver e de suas relações com a vítima.

...

O interrogatório era uma sala fria e sem graça, com uma policial de feição gentil porém séria sentada a frente de Taro. Ela liga o gravador e dá uma garrafa de água a ele.

- Então, seu nome é Taro Yamada, correto?

- Sim... - ele murmura meio baixo.

- Está bem então... - a mulher diz enquanto pegava um relatório. - Taro, queremos saber sobre tudo o que viu, desde como soube da morte da vítima até a chegada da polícia.

- Tá... - ele respirava fundo para se acalmar. - Eu estava na fonte, lendo como faço todos os dias, mas Ajia não havia aparecido, porém eu achei que era apenas um atraso ou que ela tinha faltado, apesar de não ter me mandado nenhuma mensagem falando a respeito... Mas ai, eu ouvi de alguns alunos desesperados dizendo que viram o corpo de alguém do clube de culinária, então eu corri o máximo que eu pude. Quando eu cheguei eu... - lágrimas começaram a se formar em seus olhos e sua boca tremeu novamente, sua respiração se tornando mais pesada a cada segundo, as palavras morrendo em sua garganta.

- Não precisa se forçar a relembrar tudo, conte-nos apenas aquilo que conseguir. - a moça disse num tom gentil e caloroso, dando tempo para Taro se recuperar.

- O corpo dela estava de bruços, debaixo da cerejeira. Eu perdi minhas forças e despenquei no chão, então não vi de perto... - ele deu uma pausa para relembrar tudo o que viu, com suas lágrimas se retornando aos poucos e sua voz saindo mais trêmula do que prentendia - Mas o que eu vi foram as facadas em suas costas, as lágrimas escorridas e talvez a ausência do celular, mas acho que deve estar em algum outro lugar.

- Sim, o celular dela foi encontrado em sua bolsa, que estava no clube.- a policial coloca o celular de Ajia na mesa, a vista do garoto. - Taro, poderia nos dizer como você a teria conhecido?

- Claro... Eu e a Ajia nos conhecemos a alguns meses, no começo do ano mais ou menos, ela apareceu me oferecendo uma amostra do clube de culinária e eu aceitei. Depois disso ela começou a aparecer todos os dias e fazíamos a mesma rotina. Aparentemente ela assumiu que eu estaria na fonte de novo e me ofereceu uma amostra novamente. - Taro deu um sorriso de leve, relembrando do momento que se conheceram.

- Entendo... Taro, notamos que você dentre todas as pessoas, teve uma das reações mais... intensas. Gostaria de saber se vocês mantinham um contato mais próximo do que apenas seus encontros matinais.

Taro perde seu olhar na mesa a sua frente, passando por todas as suas memórias com Ajia. - Depois de duas semanas, eu perguntei se ela havia redes sociais...

- E ela tinha? - ela pergunta juntando as mão em cima da mesa.

- Sim... mas disse que seus pais não aprovavam elas, então era uma conta privada e com um arroba diferente do nome. - Taro diz piscando e olhando para a policial. - Depois disso, começamos a nos conversar regularmente por mensagem. Como não tínhamos muito tempo na escola, esse era nosso principal meio de contato.

- Taro, se importa de nos dar permissão para ver suas conversas? Não será nada invasivo, apenas queremos saber certas... coisas. - a policial diz num tom mais sério.

- Está bem... - ele responde baixo, quase sem forças.

A mulher pede para seu colega trazer o celular e Taro o desbloqueia, mostrando as mensagens que tiveram.

Começaram poucas, um bom dia aqui, um cumprimento alí, até se tornar conversas de verdade, cada vez mais longas, com eles conversando sobre qualquer coisa depois da escola, mantendo contato até tarde.

- Taro... - diz a mulher abaixando o aparelho e dando a seu colega para ele fazer análise. - Tem algo que precisamos saber antes de qualquer coisa.

- Sim?

- Queremos saber se você já teve algum envolvimento romântico com Ajia Ashitomi ou quaisquer outras pessoas antes...

Taro para um pouco, se permitindo sorrir um pouco desajeitadamente. - Acho que sim... se o "encontro" de uma semana atrás contar... mas não teve nada além disso. E eu também nunca tive nenhum envolvimento romântico com outras garotas, por quê?

A policial parece hesitante ao dizer. - Acontece que perto do corpo de Ajia Ashitomi, ao seu lado direito, mais especificamente, foi encontrado um bilhete e que nele havia escrito a seguinte frase: " O senpai será meu, e se qualquer outro alguém tentar se aproximar dele como essa vadia fez, farei o mesmo sem hesitação... Assinado: sua admiradora secreta."

Por alguns segundos, o mundo pareceu parar. Taro tentava processar o que havia ouvido. Se isso fosse verdade, então o assassinato de Ajia seria...

- O-o que...? - a voz de Taro falha, esperando ser uma piada de mal gosto.

- Temos quase certeza que o assassino é uma garota que é obcecada por alguém que Ajia Ashitomi teve envolvimento, e aparentemente este alguém é você...

- N-não pode ser... então isso significa que seria... - as lágrimas voltaram com força, e um sentimento de culpa o inundou por completo, fazendo ele respirar pesadamente e de forma ofegante, a voz da policial já não era mais audível que um grito totalmente abafado, ele sentiu seu corpo ficando mais pesado e sua percepção de tudo cada vez mais falha, algumas memórias de Ajia com Taro o fizeram querer colapsar e simplesmente chorar por ela...

A última coisa que Taro entendeu de forma minimamente coerente foi a policial dizendo a um mini microfone que continuariam depois dele se acalmar.

E então, um breu...

...

Taro não se lembra de mais nada, não se lembra de ter dormido e muito menos de ter voltado para sua casa, mas lá estava ele, em seu quarto, deitado em sua cama, onde havia passado horas e horas conversando com Ajia pelo celular, e a lembrança o fez querer sair imediatamente, mas mal tinha forças para isso, então ele se sentou devagar.

Seu celular estava no criado-mudo, virado para baixo, a porta de seu quarto estava quase totalmente aberta. A voz familiar de sua mãe foi ouvida por ele, dizendo a alguém que estava preocupada com a situação, não só psicológica, mas física de seu filho e de todos da casa.

- Hm? - ele murmura, esfregando os olhos.

- Mãe! O Taro acordou! - a voz de Hanako preencheu seus ouvidos e então ele viu a figura da mais nova na porta, espiando ele.

- Ah meu Deus, Taro! Como está meu filho. - A mãe aparece em questão de segundos correndo e abraçando o filho.

O garoto se sente sufocado pela força do abraço, mas não diz nada, talvez ele precise disso.

- Acho que... bem? - ele se sente mal por mentir tão descaradamente.

- Meu filho, é melhor descansar tudo bem? - sua mãe diz carinhosamente.

- Mãe... - Taro diz num tom choroso e melancólico. - Me diz que aquela carta era uma piada... uma brincadeira que fizeram, uma brincadeira de mal gosto, mas uma brincadeira...

O silêncio habitou aquele cômodo por alguns segundos que pareceram durar horas até que seu pai aparecesse. - Infelizmente não... mas vamos discutir sobre sua segurança e tudo mais depois, tudo bem?

- O que? N-não! Eu mereço saber sobre a morte dela! - ele diz exasperado. - Eu quero saber se foi por minha culpa...

As últimas palavras soaram como um sussurro machucado, carregados de culpa e melancolia, junto do desespero de saber sobre a partida de sua amiga.

- Taro... - sua mãe sussurra com lágrimas ameaçando sair de seus olhos.

- Irmão! - Hanako grita ao abraçá-lo repentinamente. - Você não tem culpa! A culpa é daquela maluca que fez isso contra a Ajia! Ela é a culpada! Você não tem culpa nisso! - as lágrimas que escorriam dos olhos de Hanako eram tão genuínas quanto as de Taro, que voltaram junto da culpa.

- Hanako... - Taro sussurra baixinho antes de se sentir mal novamente.

- Hanako, minha filha, venha... vamos deixar Taro descansar, ele deve estar cansado... - A mãe de Taro diz para a garota que abraçava forte seu irmão.

Demorou alguns segundos para que Hanako soltasse ele, ainda soluçando.

- Está bem... descanse bem, ok?

Taro deu um sorriso gentil para ela.

A família então saiu do quarto de Taro, fechando a porta do cômodo e o deixando sozinho... naquele profundo e melancólico vazio...

Taro para por alguns instantes, pensa em tudo o que aconteceu e decide pegar seu celular.

Ao ligar, a tela inicial mostrava algumas mensagens, a maioria vinda do grupo da sala, dizendo sobre o que aconteceu, e que tudo foi por causa de uma "yandere"... aparentemente todos mundo já sabia da história.

Ele decide abrir o Instagram primeiro. A primeira foto que aparece para ele é a maldita foto de Taro e Ajia juntos, sorrindo como se a vida de Ajia não fosse acabar uma semana depois...

O destino deve estar brincando com Taro...

Seus lábios se contraem em uma linha fina enquanto tremiam, ele abre o perfil dela, como se ela ainda estivesse viva, e ele fica alí, vendo as três fotos que ela havia postado, as três únicas fotos que ela já havia postado, e uma delas sendo com ele...

As lágrimas voltam de novo, mas dessa vez não como um rio incontrolável, e sim como apenas um fio fino de lágrimas.

Ele se deitou de novo, como fazia toda vez que recebia uma mensagem dela, ele entrou nas conversas que tiveram e rolou desde o início, como se isso o fizesse esquecer que ela já se foi...

...

Taro acordou...

Já era domingo...

Ele dormiu sexta inteira até sábado.

Ele passou o resto de seu sábado inteiro chorando, lamentando e relembrando sobre Ajia.

Ele estava exausto de tanto chorar, exausto de tanto se lembrar de Ajia. Cansado de ficar naquela posição que o lembrava tanto dela, ele se levanta devagar.

Sai do quarto que estava de persianas fechadas e com um escuro triste para as luzes do final da tarde.

Ele passa o dia inteiro calado. Ele desce, come, e volta para seu quarto.

...

Mais um dia se passou, dessa vez, ele não chorou tanto, ele passou o tempo pesquisando comidas tradicionais que o faziam se lembrar dela...

...

Outro dia se passou, as aulas só vão voltar daqui a um tempo, então ele pode continuar apodrecendo em seu quarto como se não existisse mais nada e nem ninguém...

...

Este dia ele chorou...

Chorou rios de lágrimas, soluçou até não conseguir mais, se afundou nas memórias até que a exaustão o consumisse e ele voltasse a dormir de novo.

...

Desta vez, não sobrou lágrima para poder chorar, mas sobrou memórias...

Enquanto pensava em como seria se ela não tivesse morrido, se ela estivesse aqui, Osana bateu em sua porta.

Ele tiveram uma conversa naquele dia. Uma conversa que terminou nele expulsando Osana de seu quarto por ela dizer que "era demais"...

Ela não quis dizer isso, mas ele não se importa, aquilo doeu mais do que ele poderia suportar.

...

Depois de todos esses dias trancado no quarto, só saindo para ir ao banheiro e comer com a família, ele decide sair, mas não para algo bom...

Ele pega um pouco de dinheiro e se arruma de forma decente.

Ele sorri para a família e diz que vai sair para aliviar a mente, e eles ficam felizes por isso, mas Taro sente uma dor no peito por mentir assim...

Ele vai até uma loja, compra um onigiri e vai até uma ponte que está acima de um rio grande, bonito e perigosamente mortal.

- Realmente... você é bem melhor cozinhando tudo isso... - Taro diz para si mesmo voz alta, com a voz falhando carregada de uma nostalgia e uma felicidade inexistente.

- Talvez eu devesse só acabar com tudo isso... talvez seja menos doloroso...

Lágrimas novamente. Pela milésima vez naquela semana...

- Talvez assim, eu possa me juntar a você também... - ele diz soluçando. - Por quê? Por que você morreu...? Por que eu fui o motivo de você morrer? Por que não eu?!

A voz ficando mais carregada de raiva, culpa e tristeza a cada palavra. O pensamento de simplesmente se jogar parecendo mais tentador a cada segundo, até que ele cede a tentação.

Ele sobe encima do corrimão da ponte. As leves ondas do rio fazendo um barulho baixo e único. A brisa fria dizendo em seu ouvido para ele pular.

- Me desculpe por isso... você vai me perdoa, Ajia...?

Notes:

Yanderedev, eu te odeio profundamente por fazer uma personagem tão linda ser tão horrível!

Mas de qualquer forma, até pensei em dar um final feliz, mas decidi que não quero <3

Alias, um detalhe, não tem itálicos pq eu escrevi no Wattpad e não coloca aq, e não vou ter paciência as 08:05 da manhã para isso ,')