Actions

Work Header

Riddikulus

Summary:

Três anos após a Segunda Guerra Bruxa, Molly estava finalmente saindo de casa e tentando se curar e reorganizar sua família em que todos estão quebrados em algum grau.
Culpa, saudade, medo… Um buraco profundo está alojado no peito de todos.
Fred sobreviveu, mas se encontra em coma há três anos no St. Mungus.
Após várias conversas sobre processos de cura com sua Curandeira da Mente, Molly decide iniciar o seu próprio encarando o monstro de frente. Mas com isso ela começa a desenterrar segredos sobre seus filhos que ela nunca sequer havia imaginado.

Notes:

Essa é minha primeira história publicada aqui no AO3 e também minha primeira história publicada de Harry Potter, estou mais habituada ao fandom de Naruto (para o qual eu publico em outra plataforma há cerca de três anos).
Tudo aqui vai ser feito com muito carinho e cuidado, mas tenham paciência comigo <3
Alguns termos específicos da história (como o nome do gato da Hermione) vão estar em inglês e outros eu vou traduzir para minha linguagem nativa (português brasileiro)
Boa leituraaa <3

Obs.: a obra “Harry Potter” não pertence à mim e não tenho quaisquer intenções monetárias por trás desse trabalho, é apenas fã para fã.

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

Molly sabia que o feitiço Riddikulus não tiraria aquela imagem da sua frente, não daquela vez. Fred estava em coma há três anos — sorte, eles disseram, mas não tinham uma estimativa de quando ele acordaria, se acordaria. Ela não chamaria isso exatamente de sorte.
Cada um dos membros de sua família reagiu de uma forma. Arthur, quando não estava cuidando dela e seu estado vegetativo, estava no galpão mexendo nas engenhocas que ele e Fred haviam deixado inacabadas, sem nunca terminar, ela não achava que ele conseguiria finalizar alguma delas sem Fred para estar ao seu lado comemorando.
Bill havia se tornado cinco vezes mais protetor do que o normal e evitava a todo custo o quarto dos gêmeos na 'Toca.
Charlie estava passando cada vez mais tempo na Inglaterra com a família e mal podia olhar para George sem querer chorar.
Ron estava mais fechado e taciturno, nunca mais havia rido e dedicava ao menos algumas horas semanais para contar histórias a beira da cama de hospital do irmão.
Ginny, Ginny estava em frangalhos, mas seguia firme, pois dizia que seu irmão queria que ela realizasse seu sonho, que fosse a melhor artilheira da história das Harpias.
Harry não estava muito melhor, vivendo uma espiral de culpa enquanto se afogava em caçar comensais da morte fugitivos.
Percy... Oh, seu pobre Percy... Ele abandonou o emprego e agora dividia-se em cuidar da família e limpar a loja devastada dos gêmeos na esperança de algum dia ambos ou pelo menos um retornasse.
George era o pior de todos eles, ela sabia. Ele havia partido, Angelina o levou para um retiro no campo após tudo isso e ainda não haviam retornado, mas sua nora sempre lhe enviava cartas com notícias.
Ela notou que na mesa de cabeceira de Fred havia um novo livro com marca páginas, Peter Pan: O Menino Que Não Queria Crescer. Um título tão adequado para Fred que lhe trazia lágrimas aos olhos. Ele poderia crescer, mas sempre teria aquela alma doce e alegre de uma criança. Molly suspeitava que Percy estava lendo para ele, nunca perguntou, não queria deixá-lo desconfortável, sua curandeira da mente dizia que cada um tinha seu processo de cura.
Ela estava prestes a investir no seu.
Antes que pudesse se arrepender, ela beijou os cabelos ruivos de Fred, — que necessitavam de um bom corte — acariciou o Familiar pega de Fred em sua barriga e correu para o ponto de aparição sem falar com ninguém e aparatou para frente da loja dos gêmeos onde Percy estava pendurado em uma escada tirando os pedaços de vidro quebrados, tendo insistido em fazer tudo sem magia.
Percy estava apenas mexendo na loja, se recusava a subir ao apartamento dos gêmeos, haviam vários motivos que ele não admitiria, mas ele sempre disse que sentia que era invasivo demais. Essas palavras não estava no vocabulário de Molly, ela lavou suas cuecas até saírem de sua casa e cortava seus cabelos até a idade adulta — atualmente apenas Percy, Ron, Ginny e Harry lhe permitiam.
Ela entrou e subiu sabendo que falar com Percy talvez a fizesse recuar. Quando finalmente abriu a porta do apartamento, a imagem a chocou.
Claro, estava tudo bagunçado e revirado, algumas coisas explodidas e rasgadas além do reparo, mas... Não estava tão inabitado quanto ela esperava.
Haviam algumas embalagens de comida cuja fabricação datava de depois da guerra estavam dispostas no balcão. Haviam pegadas de pés pequenos, patas pequenas e patas grandes no chão empoeirado levando da sala para a cozinha, da cozinha para a sala, da sala pro quarto, do quarto pra sala, do quarto pra cozinha e da cozinha para o quarto. O quarto de Fred.
Rolls em seu ombro se encolheu contra sua bochecha trêmula e ela tratou de afagar o familiar com a mão esquerda enquanto a direita sacava a varinha e ia na direção do quarto.
Ela abriu lentamente a porta, mas não havia ninguém lá naquele momento. Embora fosse óbvio que em algum momento alguém esteve ali, dormindo na cama de Fred, usando seus suéteres e moletons.
Antes que ela pudesse tentar entrar no cômodo, ouviu um barulho no assoalho de madeira atrás de si e se virou alarmada ao encontrar um leão, um maldito Familiar leão, a encarando como se ela fosse sua próxima presa.
—Minha Senhora não iria gostar de saber de alguém vagando por aqui...—o Familiar ronronou a chocando já que raramente familiares se davam ao despeito de falar com alguém que não seus bruxos. Molly sentiu Rolls, sua familiar que estava em sua forma de andorinha, espreitar para fora de seus cabelos.—Minha Senhora leva a marcação de território muito a sério...
—Este lugar não é território da sua Senhora.—ela disse firme e ele riu.
—Não é...?—ele ronronou.—Tenho ordens para caçar e estraçalhar quem quer que entre por aquela porta, me diga porquê não deveria fazer isso com você...
—Esse é o apartamento dos meus filhos...
—Eles não estão usando agora, estão...?—a Fera ronronou antes de começar a rodea-la.—Eu deveria, eu poderia fazer isso... Depois de tudo... Mas não irei. Não, isso machucaria mais do que faria bem.
E então a Fera sentou-se como se não passasse de um animal doméstico fazendo brincadeirinhas.
—Agora... Eu gostaria de saber o que te traz até aqui...?—perguntou lentamente.
—Vou limpar o apartamento, para... Quando meus meninos voltarem...—ela disse num sussurro e a Fera a observou atentamente jogando o rabo de um lado para o outro.
—Entendo. Gostaria apenas que você saísse daqui antes do anoitecer, é quando minha Senhora volta.—ele disse lambendo sua pata.
—E por quê eu não expulsaria você e a sua Senhora?—ela perguntou.
—Porque por mais que você esteja intrigada e confusa... Você sabe que eu não apresento risco. Sabe que sua alma e sua Familiar é acolhedora comigo. E eu sou uma extensão da minha Senhora, que apenas quer um lugar para fugir.—ele disse humildemente e ela suspirou. Normalmente, Rolls assumia sua forma de ursa quando sentia que havia uma ameaça por perto e não dava brecha para questionamentos, mas ela estava calma, curiosa.
—Tudo bem, mas por enquanto, apenas até ela conseguir um lugar.
O leão não respondeu, mas agora parecia mais relaxado. Ela partiu para a cozinha e começou a organizar as coisas lentamente jogando embalagens de comida fora, comidas estragadas cujo feitiço de preservação havia esvaído-se depois de um tempo, lidando com algumas pragas como baratas...
—Minha Senhora tentou limpar, mas toda vez pareceu demais. Ela geralmente só come e parte para o quarto onde dorme o quanto pode antes de partir.—o familiar contou.
—E ela te deixa aqui, como um cão de guarda?—ela perguntou enquanto Rolls sobrevoava o cômodo tirando teias de poeira e ela continuava a reunir lixo.
—Não me compare à um cão, por favor. Tenho mais classe que isso.—ele disse enojado e ela poderia ter rido se não estivesse tão preocupada.
—Sua Senhora deve ser uma bruxa poderosa para ficar tanto tempo longe de você...—ela comentou como quem não queria nada, mas era uma tática que ela havia aprendido depois de sete filhos criados: falar pequenas observações afiadas esperando que ou eles se gabem ou se defendam, o que vier primeiro.
—Podemos dizer que sim.
—E por que uma bruxa tão poderosa estaria vivendo sem teto próprio...?—perguntou lentamente.
—Seu filho, o rapaz no andar de baixo, ou a senhora estão sem teto?—ele perguntou e ela arqueou uma sobrancelha.
—Não.
—Então não vejo porque minha Senhora estaria. Este lugar é para ela, a mesma coisa que para você e seu filho é.
—Uma fuga.
A Fera maneou a cabeça suavemente.
—Aqui é uma fuga para mim e meu filho porque era dos irmãos dele, dos meus filhos.—ela disse com a voz levemente embargada, mas se manteve firme.
10 dias sem chorar, ela não ia quebrar o ciclo.
—Temos uma ligação com eles, com Fred.
—E quem disse que minha senhora não...?—o felino ronronou brincado com um novelo de lã.
Novelo de lã? Por que os gêmeos tinham novelos de lá? Fred e George não sabiam tricotar e nenhuma das formas de seus Familiares tinha afinidade com aquele tipo de distração.
Mas aquilo não era o foco de tudo. Como assim...?
—Como assim sua senhora tem uma ligação com meus meninos?—ela perguntou cautelosa e curiosa.—Impossível.
—Seu filho, Fred, é mais inteligente do que as pessoas lhe dão crédito, principalmente a senhora...—ele ronronou sem parar de brincar.—Se minha Senhora realmente não tivesse nada a ver com ele, de que outra forma ela entraria no quarto dele? Ele tem enfermarias particularmente poderosas, teste um dia.
—Enfermarias, em um quarto?—ela perguntou confusa.
—Lá estão os bens materiais mais preciosos dele. E é uma regra básica de enfermarias: quanto menor o ambiente, mais forte e eficiente é a proteção.
Ela assentiu lentamente tentando absorver as informações enquanto limpava.
—Você não é Cotton.—ela indicou referindo-se ao Familiar de Alicia Spinet, melhor amiga de George.
—Bem observado.—ele ronronou.
—Também não é Ian.—referiu-se ao Familiar da própria Angelina, melhor amiga de Fred e namorada de George.
—Correto...
—Também não vai me dizer quem é.—ela disse irritadiça. A Fera riu.
—Não, não vou.
Ela bufou indignada e retornou às suas tarefas enquanto a fera continuava a brincar e Rolls limpava o teto do apartamento.