Actions

Work Header

Enquanto Você Dormia

Summary:

Mesmo que não admitisse, o conflito contra seus amigos, sua família, estava afetando Tony Stark. E ter levado Peter consigo para aquela confusão estava piorando os pesadelos de Tony.

Notes:

Primeira vez publicando aqui, então tenham paciência.
E se atentem aos avisos. Caso já o tenha feito, aperte os cintos e vamos nessa.
(Também publico essa história em outras plataformas, então não se preocupe)

Esse primeiro capítulo se passa após o confronto dos Vingadores em Capitão América:Guerra Civil.
Tenham uma boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Enquanto Você Dormia

Chapter Text

Confusão.

Essa era a definição perfeita do estado em que se encontrava a mente de Tony Stark naquele momento. Seu melhor amigo corria risco de paralisia. Seu segundo melhor amigo estava protegendo o assassino dos seus pais. O nome de um garoto morto por sua culpa assombrava sua mente, e o fato de quase ter arrastado outro para ela estava atormentando seus sonhos.

Sua terapeuta o proibiu de sequer pensar no nome do menino que morreu em Sokovia. Mas é claro que depois da acusação da mãe do mesmo naquele dia no MIT, ele revirou tudo que podia. De acordo com suas pesquisas, ele estava como voluntário naquela região, construindo casas para pessoas pobres no interior. O menino devia ter um bom coração para pensar em ir a um lugar assim ao invés de aproveitar a vida em Vegas como ele mesmo faria. 

O menino no andar de baixo deveria ser exatamente assim também. Se não melhor. 

Era inegável a pureza e bondade que transbordava dos grandes olhos castanho-claros de Peter Parker. A forma como ele queria ajudar as pessoas e o modo como enfrentou Vingadores experientes por que isso era o certo mostrou isso. 

Parte de Tony se sentia culpado, porque, de certa forma, eles não eram os vilões da história, já que era tudo armação. Apenas aquele miserável do Soldado Invernal e talvez o idiota do Rogers. Então, em teoria, fez aquele garoto lutar por uma mentira, e não pelo lado bom da história. A outra metade do Stark se sentia culpado pelos riscos que o garoto sofreu naquele confronto, mesmo que ele tenha se saído melhor do que imaginara.

A expressão assustada de Peter quando o encontrou antes de perseguir Rogers apertou seu coração de uma maneira absurda e estranha. O pânico nos olhos dele e o modo como tentou se defender de Tony o quebrou, e assim que voltou ao Complexo, a primeira coisa que fez foi procurar por ele antes de ir ver como estava indo a cirurgia do Rhodes. O menino dormia tranquilamente em um dos quartos de hóspedes, depois de passar na enfermaria. Mesmo após conversar com o médico que atendera Peter, Tony ainda se sentia mal. 

Agora, ali estava ele. Acordado pelo pesadelo que o atormentava desde que a Maximoff invadiu sua mente. Só que dessa vez não era Steve que o culpava da morte dos seus amigos. Era um garoto pequeno de olhos castanhos, vestindo o uniforme que ele mesmo lhe dera.

Por sorte seu quarto tinha isolamento acústico, caso contrário o Complexo inteiro teria o ouvido chamar o nome de Peter em desespero. Depois de se revirar na cama pelo que pareceu horas, perseguindo o sono que lhe fugia, se deu conta de que o melhor modo de estabelecer o controle de sua mente era verificar outra vez que o garoto estava bem, e que o sonho não era realidade.

Então, foi o que Tony fez. Vestiu a primeira camisa que viu e amarrou melhor o moletom em volta dos quadris antes de sair do quarto. Caminhou silenciosamente até chegar na porta do garoto, e hesitou por um instante, pensando se deveria bater ou não na mesma. Levando em conta que ele ainda devia estar sob os efeitos dos calmantes que ele tomou mais cedo, resolveu não interromper o sono do garoto.

Abriu uma fresta da porta, pondo a cabeça para dentro e verificando o local. O menino estava encolhido, enrolado em si mesmo em posição fetal, e seu cobertor estava para cair da cama. Tony resolveu se aproximar e cobrir o menino, ao ver que o mesmo tremia, já que o ar-condicionado estava ligado, deixando o ambiente frio.

Quando chegou perto, arrumou o cobertor, prendendo as pontas sob o queixo do garoto. Então, retirou os fios que lhe caiam sobre o rosto, vendo sua face serena. Os cílios longos, as maçãs do rosto delicadas, os lábios bem desenhados. Peter Parker quase parecia uma garota sob a pouca luz. Quase. 

Se dando conta do caminho que seus pensamentos estavam tomando, Tony resolveu se afastar. Então, quando estava próximo á porta, ouviu o garoto resmungar e se mexer na cama. Um pesadelo.

Se aproximou outra vez, dessa vez se sentando ao lado de Peter. Acariciou seus cabelos, cantarolando qualquer coisa, torcendo para o menino não acordar e surtar ao vê-lo ali. Mas para sua sorte, ele apenas se acomodou outra vez, se enrolando ainda mais, parecendo uma bolinha sob o cobertor. Ou um gato. Tony sorriu ao se lembrar que seu pai nunca permitiu que ele tivesse um gato na infância, antes de se levantar ao constatar que Peter voltou a dormir serenamente e sair do quarto.

"Ele está bem, cérebro idiota! Me deixe dormir também!"

Tony pensou consigo mesmo, enquanto retornava ao seu quarto. Ao se deitar, lembrou do olhar admirado e agradecido do garoto quando lhe entregou o uniforme novo que ele fez as pressas, dos agradecimentos gagos que o menino lhe direcionou. O olhar em seus olhos. Como se ele fosse digno de admiração. 

Mas Tony sabia a verdade. Por mais que ele tentasse, ele não conseguia ser totalmente bom. Ele não era bom, e aquele garoto morto em Sokovia era prova disso. Tony não se achava bom, e teria gostado de ter esclarecido aquilo a Peter, porque por mais que negasse, aquele olhar do menino o machucou. Abriu feridas profundas em sua alma, porque ele sabia que não era digno daquela admiração.

Talvez fosse efeito do desgaste emocional por ter que enfrentar seus amigos, sua família, e estar carregando um garoto consigo, já que em qualquer outra situação ele teria adorado aquele olhar e teria feito alguma piada esperta para desfazer o clima emotivo demais que se instalou naquele momento. Mas não. Ele ficou encarando Peter, pensando em como parecia errado aquela gratidão, pensando em como deveria ter dito o que se passava na sua mente naquele momento.     

" Existem pessoas ruins no mundo, garoto. Eu sou uma delas. Enquanto você dormia eu percebi isso." 

No dia seguinte, quando acordou, Peter Parker já havia ido embora. Mas a confusão de Tony Stark não.